A melhor campanha do Brasil não é suficiente para confiar no ‘Argelismo’

Números não mentem. O Vitória possui até aqui a melhor média de aproveitamento de pontos entre os participantes da Série A 2017. Foram 17 triunfos em 20 partidas, 40 gols marcados e 15 sofridos em 3 competições oficiais. A artilharia do ano por enquanto fica a cargo de Kieza com 8 gols em 8 jogos.


Claro que tudo isso cai por terra quando percebemos que enfrentamos até aqui apenas um clube de Série A - Vasco, pela Copa do Brasil. Nem o rival enfrentamos ainda. Muito pouco para provar a real eficiência do time.


EDSON RUIZ/Coofiav/Gazeta Press
EDSON RUIZ/Coofiav/Gazeta Press

Prata da casa, David é um dos poucos destaques deste início de temporada.


Antes de continuar, vamos a definição do Argelismo:



Ato de armar a equipe priorizando a zona defensiva (sem marcação sob pressão), apostando ofensivamente somente em contra-ataques, bolas longas e jogadas individuais.



Se números não mentem, eles podem enganar. Após 60 dias desde que a temporada começou, Argel não conseguiu fazer o Vitória apresentar em campo sequer um futebol seguro. O Argelismo sofreu (e muito!) para vencer adversários fracos e em muitos casos contou com a sorte. Quando ela não veio, foi goleado pelo Botafogo-PB por 4x2. Jogo em que técnico errou tudo que podia.


Minha percepção é que Argel está perdido.


Após 20 partidas, ainda não encontrou uma forma de armar o time com o que tem de melhor. Deram a ele uma quantidade de jogadores ofensivos que jamais teve. Ele parece não saber o que fazer com isso. Coloca os jogadores em campo e reza para sair alguma coisa. Com times mais fracos tem funcionado. E como será para a reta final do Baiano e Copa do Nordeste? 


Edson Ruiz/Coofiav/Gazeta Press
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Cleiton Xavier vem sendo o camisa 10 do Vitória


No elenco, o treinador conta com laterais que sobem muito (Euller e Patric. Geferson não é jogador), volantes que atacam com certa qualidade e bom número de meias criativos e atacantes de beirada. Dátolo, Cleiton Xavier, Pisculichi, Jhamerson, David, Kieza e André Lima são alguns atores da atual “dor de cabeça” de Argel. Desses, apenas Cleiton Xavier, Kieza e David são titulares com certa regularidade.


Não quero dizer que temos os melhores jogadores do país. Falo da limitação do treinador em não conseguir fazer funcionar até aqui o elenco que tem.


Assim, o maior desafio de Argel será vencer o Argelismo na reta final dos campeonatos estadual e regional. Fugir das próprias definições defensivas e armar um time com características ofensivas desde o início e que consiga preencher os espaços para não sobrecarregar a defesa.


Com o nível dos adversários que enfrentamos até aqui, não basta só vencer. É preciso convencer!


SRN!