Vasco: ponto foi mais importante que as críticas

Gazeta Press
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Rodrigo tromba em Martín Silva: goleiro foi o melhor em campo no empate com a Ponte Preta; o zagueiro conseguiu ser o pior pela atitude após o apito final


Pelo que vi pelas internets da vida, ninguém gostou do empate sem gols entre a Ponte e o Vasco. É praticamente uma unanimidade, entre reações de torcedores e a cobertura da imprensa, que o jogo foi de baixo nível técnico e muito duro de se ver.


Sendo criterioso, é difícil discordar desse ponto de vista. Com os dois times passando a maior parte do tempo mais preocupados em evitar que o adversário jogasse do que propriamente em jogar, não havia como a partida ser um exemplo de partida bem jogada. O Vasco, visitante e havia duas rodadas sem pontuar, estava ainda mais claramente focado em se defender.


Mas no meio disso tudo – e também porque toda unanimidade é burra – consegui ver pontos positivos na partida.


1) Levando-se em consideração os desfalques e a fragilidade defensiva que vinhamos demonstrando, ter conseguido um empate fora de casa e sem sofrer gols foi um avanço. Muitos reclamarão que o preço disso foi ter visto uma escalação com três volantes, que obviamente teria sérias dificuldades para criar jogadas. Mas como sempre digo, o problema não é o número de volantes, mas a qualidade dos mesmos. Se tivéssemos no elenco um...digamos, DOUGLAS, poderíamos ter melhor sorte na partida. Se a diretoria achou por bem vender nosso melhor volante e contar que o Bruno Paulista o substituísse à altura, a culpa não é do treinador. Ele tem que se virar com o que tem em mãos.


2) O jogo foi feio, sim, mas muito mais feio é despencar na tabela e correr riscos até o fim da competição. Desde o começo do ano falei que o Vasco poderia fazer um Brasileiro tranquilo se entrasse em campo ciente das suas limitações. E muitas vezes, nesse mesmo campeonato, fizemos o contrário e fomos para as partidas com a mentalidade do “jogar e deixar jogar”. E quando fizemos isso contra adversários melhores tecnicamente, invariavelmente perdemos os jogos, mesmo tendo atuações mais vistosas. Se a torcida deixar o orgulho de lado e lembrar que o elenco de hoje não é uma máquina como as que tivemos entre 97 e 2000, será fácil ver que, se tivéssemos tido uma postura como a de ontem em uns três ou quatro jogos, teríamos menos derrotas na competição.


3) Pra fechar, vamos com um chavão bem conhecido do mundo do futebol: “um bom time começa com uma boa defesa”. Um time que começou com titulares na defesa com o nível do Henrique, Bruno Paulista e Wellington (e dava pra citar outros) não tomar gols já é praticamente um milagre! Vamos lembrar que no início do segundo turno, jogaremos com times da parte de cima da tabela “em casa”, mas fora de São Januário e como visitantes contra times que lutam contra o rebaixamento. Ou seja, não teremos nem de longe as mesmas facilidades que tivemos no começo do Brasileiro. Precisamos SIM primeiro arrumar a defesa e focar em não deixar nossos adversários jogarem, para AÍ SIM, resolver a questão da efetividade ofensiva. E nesse tempo, com certeza os garotos da frente oscilarão menos e teremos a volta do Luis Fabiano para tornar nosso ataque mais letal.


Chegamos à metade do campeonato na 12a colocação, mas com apenas quatro pontos de vantagem do primeiro time no Z4. Todo torcedor vascaíno tem o dever cívico de sempre acreditar que nosso clube conseguirá grandes feitos, mas a realidade do time é outra, e todos sabem qual é. No fim do ano, se os pontos conseguidos em cada partida mal jogada como a que tivemos contra a Macaca forem o bastante para nos deixar na posição em que nos encontramos agora, todas as reclamações serão merecidamente esquecidas.



As atuações….


Martín Silva – uma grande defesa em cada tempo lhe garantiram o posto de melhor jogador da partida, mesmo que não tenha tido tanto trabalho ao longo dos 90 minutos.


Gilberto – novamente foi boa opção para se chegar ao ataque, mas falhou muito ao executar as jogadas. Defensivamente foi regular.


Breno – jogou com segurança, se dando bem no combate direto e sem precisar apelar pro físico ou pros chutões na maioria do tempo. Me surpreendeu.


Lucas Rocha – tirando uma furada no segundo tempo que quase pôs tudo a perder, fez uma partida segura.


Henrique – pra não falarmos que não fez nada de relevante, evitou um gol certo interceptando um chute em cima da linha do gol. De resto, continua fazendo a torcida do Vasco se sentir viúva do Ramon.


Jean – voltou a se destacar na marcação, sendo incansável no combate e fechando bem os espaços no meio de campo. Mas, como sempre, poderia ter um pouco mais de capricho nos passes.


Wellington – tentou ajudar na saída de bola, mas com tantos passes errados não conseguiu fazer bem a transição entre a defesa e o meio de campo. Mostrou habilidade na última jogada de ataque do Vasco, mas perdeu a bola e simulou uma penalidade.


Bruno Paulista – mais uma vez errou tudo o que tentou. Foi tão mal que saiu no intervalo para a entrada do Andrey, que mesmo não trazendo uma melhoria tão grande para a posição, foi mais preciso nos passes e nem de longe é tão estabanado.


Mateus Vital – sozinho para criar as jogadas, não poderia fugir da responsabilidade e acabou aparecendo mais do que de costume. Fez boas jogadas e mostrou visão de jogo. Ainda precisa ser mais efetivo nas finalizações.


Paulinho – em um jogo tão pegado e com poucos espaços cedidos pelas duas equipes, acabu não sendo tão acionado como deveria. Mas mostrou sua habilidade em alguns momentos, principalmente no segundo tempo, quando a Ponte passou a tentar mais o ataque. Justo nesse momento acabou sendo substituído pelo Thalles, que se não viesse eventualmente buscar jogo nem teria encostado na bola. Fez apenas uma finalização, muito ruim.


Paulo Vítor – no primeiro tempo, foi a principal – se não a única – arma ofensiva do Vasco, explorando sua velocidade para chegar rapidamente ao ataque. Mas sozinho na frente, faltou ajuda para resolver as jogadas. Saiu no segundo tempo para a entrada de Manga Escobar, que passou pelo mesmo problema, mas que deu um novo gás ao ataque na parte final do primeiro tempo.


***


Mesmo já estando fora do clube, Rodrigo continua protagonizando presepadas inaceitáveis nas partidas do Vasco. Os empurrões que o atual zagueiro da Ponte Preta deu no técnico Milton Mendes foram uma atitude completamente despropositada. Vamos ver essa agressão foi pra súmula do juiz e se o STJD tomará alguma providência para puní-lo.


Até porque, se ele ainda fosse do Vasco e fizesse algo semelhante, certamente tomaria um gancho gigantesco.