Inofensivo, Vasco perde mais uma fora de casa

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O gol do Jean, primeiro do volante pelo Vasco e primeiro do time fora de casa nesse Brasileiro, não foi o bastante para evitar a derrota para a Chape


Para quem busca sempre o lado positivo das coisas, a derrota do Vasco por 2 a 1 para a Chapecoense, pode ser considerada uma evolução do time jogando fora de casa: depois de um 4 a 0 para o Palmeiras e um 2 a 0 para o Grêmio, perder marcando um gol já foi um avanço. Seguindo essa lógica otimista, na próxima partida fora de São Januário vamos conseguir empatar e depois, aí sim, conseguiremos uma vitória na casa do adversário.


Seria lindo se o futebol funcionasse assim. Mas não funciona. Mesmo que o Vasco conseguisse o empate ontem – algo que nem seria merecido – a verdade é que, mesmo sendo o resultado menos ruim fora de casa, contra a Chape tivemos a pior atuação no Brasileiro.


Tenho dito aqui que jogar bem e perder não adianta e que vencer mesmo jogando mal é muito melhor. A questão é que tendo atuações como a de ontem, vamos ter o pior dos dois mundos: jogaremos mal e perderemos do mesmo jeito. E ontem sequer demos a menor pinta de que poderíamos vencer.


Há uma diferença brutal entre ter uma postura defensiva e passar 90 minutos pressionado, marcando mal e contando com milagres do goleiro. Passar o jogo inteiro acuado por um time como a Chapecoense, que está longe de ser essas coisas, foi feio, muito feio. Fomos um time inofensivo, com apenas duas ou três chances de gol, todas em jogadas de bola parada, aparentemente a única forma que a formação de ontem conseguirá ameaçar seus oponentes.


Que fora de casa temos que ter mais cautela é uma obviedade que até os melhores times do campeonato entendem. Mas um time que não tem qualquer alternativa ofensiva não conseguirá nunca vencer. Mesmo com placares mais desfavoráveis, parecia mais plausível termos tido resultados positivos contra o Palmeiras e o Grêmio. É como disse o Garone:




Mudar era necessário, mas era preciso analisar os pontos positivos do time nas duas primeiras partidas fora de casa antes de mudar radicalmente a estrutura do time. Jogando com dois homens abertos pelas pontas e apenas um volante de contenção estávamos vulneráveis, mas conseguíamos agredir os adversários e criávamos chances de gol. O esquema com três volantes, dando uma função criativa que o Douglas já mostrou que não consegue exercer, tornou o Vasco um time que não consegue fazer nada além de se defender. E com os volantes e a zaga que temos, as chances de derrota aumentam muito.


Para vencermos fora de casa, Milton Mendes precisa encontrar um meio termo entre as duas formações. Se não podemos ser um time que não consegue se proteger, tampouco podemos ser uma equipe incapaz de criar.



As atuações...


Martin Silva – a derrota pela diferença mínima tem tudo a ver com ele e as várias defesas excelentes que fez, principalmente no segundo tempo.


Gilberto – marcou em cima o Arthur Caike e se deu bem na maioria dos lances. Não alcançou o atacante justo no lance do segundo gol, quando o cara me acertou aqueles chutes que só encontram o endereço certo contra o Vasco.


Breno – quase marcou de cabeça o gol de empate, no fim do segundo tempo. Mas na nossa área foi uma tristeza, parecendo completamente perdido.


Paulão – falhou no primeiro gol da Chape, deixando o adversário livre para cabecear para o gol. Também bateu cabeça em alguns momentos.


Henrique – foi bem defensivamente, marcando com atenção, e inexistente no apoio.


Welington – ainda não conseguiu mostrar a que veio. Ontem não foi eficiente na proteção à zaga mais uma vez. Deu lugar ao Manga Escobar, que entrou para explorar sua velocidade em jogadas de contra-ataque, mas não conseguiu fazer muita coisa.


Jean - lutou como sempre e ainda marcou o primeiro gol do time fora de casa no campeonato. Difícil ficar reclamando muito do cara no atual momento do time.


Douglas – jogando mais à frente, sofre muito com a marcação e não consegue ter a mesma eficiência que tem quando vem de trás. Ficou olhando displicentemente a disputa entre Gilberto e Arthur no lance do segundo gol, quando poderia ter dado o combate.


Alan Cardoso - mostrou ser um equívoco sua escalação, sendo substituído ainda no primeiro tempo ao tomar um amarelo depois de cometer duas faltas. Deu lugar ao Andrezinho, que mostrou estar completamente fora de ritmo. Lento demais e pouco efetivo na criação.


Mateus Vital – faltou ter alguém mais próximo para jogar junto, não conseguindo se dar bem sobre a marcação. Deu lugar ao Caio Monteiro, que entrou em um momento em que o time já apelava apenas para os lançamentos e não conseguiu aproveitar sua velocidade conduzindo a bola.


Nenê – acabou isolado e foi mais eficiente quando recuava um pouco para dar passes para quem vinha de trás. Acertou o escanteio que originou o gol do Jean.