De quem é a responsabilidade pelo péssimo início de ano do Vasco?

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É fácil apontar o dedo para a diretoria na hora de responsabilizar alguém pelo terrível começo de 2017. Será ela a única culpada?


As noites de quarta-feira são cruéis para quem torce para times em férias forçadas. Infelizmente, é o caso do Vasco no momento, e enquanto vemos nossos rivais ainda lutando por títulos, só nos resta ficar matutando: de quem é a culpa desse ano já praticamente jogado no lixo?


Uns acharão esse pensamento pessimista; outros dirão que pensar dessa forma nada mais é que ser realista. Seja qual for seu ponto de vista, o fato é que nesse 2017 só nos resta o Brasileiro e, a princípio, a lógica nos diz que estamos muito mais para brigar por uma permanência na Série A que disputar o título ou mesmo uma vaguinha numa pré-Libertadores inchada.


Mas voltando à nossa matutagem: se estamos fora da Copa do Brasil, sem chances de lutar pelo tri estadual e com perspectivas não muito animadoras no Brasileiro, algo deu muito errado no planejamento para esse ano. A maioria esmagadora da torcida sabe para onde apontar o dedo. Afinal de contas, quem faz o planejamento e decide os rumos do clube é a diretoria. Nada mais justo que nossos gestores assumam a responsabilidade.


Mas será que a responsabilidade é mesmo da diretoria? Ou será apenas dela?


A diretoria começou o ano tirando uma comissão técnica desgastada com o elenco e alguns dirigentes e trouxe o Cristóvão. Mas nos meses em que comandou o time, Cristóvão não conseguiu sequer definir um time titular, quanto mais dar um padrão de jogo à sua equipe.


Os reforços também vieram. Antes de pensarmos na qualidade mais ou menos dos novos contratados, é preciso levar em consideração a situação financeira do clube. E, ainda que demos um desconto para reforços do nível do Escudero, Muriqui, Jean, Gilberto, Kelvin, Manga Escobar, Wagner e Luis Fabiano, é inegável que a maioria deles não conseguiu sequer igualar as baixas expectativas que tínhamos com seus desempenhos. Alguns nem conseguiram entrar em forma antes de sermos eliminados em duas das três competições do ano.


E, claro, não podemos deixar de citar também a queda de rendimento dos jogadores que já estavam no elenco. Entre os que restaram da temporada passada, apenas Martin Silva, Douglas e - vá lá - Yago Pikachu e Henrique, mantiveram o nível ou melhoraram um pouco. É claro que isso também atrapalhou muito o time.


Diante disso tudo, podemos apontar tranquilamente o dedo para a diretoria e afirmarmos com convicção ser ela a maior responsável pelo péssimo início de ano que estamos tendo?


Sim, é claro que podemos!


Quem trouxe o Cristóvão, um treinador desacreditado e sem qualquer trabalho de bom nível nos últimos anos foi a diretoria. E isso fica ainda mais grave se pensarmos que a escolha se deu não por critérios profissionais, mas sim, por indicação de um empresário amigo.


Quem é que faz as contratações de jogadores se baseando no que eles fizeram no passado, ignorando seu atual momento? Quem é que tem como prática, há anos, contratar medalhões que dificilmente conseguem compensar o investimento feito?


Quem é que gastou fortunas com um centro de fisioterapia moderníssimo, mas que leva meses para colocar em forma os atletas (isso, quando coloca)?


Quem é que cuida das finanças do clube desde 2014 e três anos depois não conseguiu dar o fôlego financeiro necessário para fazer uma contratação inquestionável para o elenco?


Quem é que tem o hábito de encher de privilégios os astros do time, tornando-os cheios de vontade, relaxados em campo e propensos a ignorar a hierarquia, pois sabem que vencerão uma queda de braço com qualquer membro de qualquer comissão técnica?


Todos sabem as respostas, ou melhor A resposta, que serve para todas as perguntas acima. Perguntas que sequer precisariam ser feitas: como foi dito lá em cima, quem decide e define os rumos do time é a diretoria.


***


E as últimas notícias – que até o momento não passam de especulações, cabe dizer – dão conta de uma reformulação no elenco, com direito à saída do Rodrigo, o representante da diretoria no elenco, e Nenê. Isso porque Milton Mendes teria recebido carta branca para moldar o time do jeito que achar melhor. E, disciplinador que é, não deve aceitar insubordinações de qualquer espécie.


Eurico Miranda desconversou ao ser perguntado sobre o futuro do zagueiro falastrão e a possível saída do Nenê parece ser – ainda - apenas uma dedução dos jornalistas. Mas seja feita ou não, seja válida ou não a tal reformulação do elenco, o que fica é o seguinte: lá vai o Vasco começar tudo do zero de novo, faltando um mês para começar o Brasileiro.


Planejamento. Algo que passa longe de São Januário faz tempo…..