Estirado na pista, Vasco facilita atropelamento tricolor

www.vasco.com.br
www.vasco.com.br

O Flu realmente atropelou o Vasco, mas o time de Mendes parece ter feito questão de atravessar a rua com o sinal verde


Falar agora que o Fluminense deu um passeio sobre o Vasco é fácil. O 3 a 0 do placar teria sido o suficiente para considerar a superioridade tricolete inapelável, mas, além disso, também foi claro o domínio do time do laranjal por grande parte da partida.


O que foi descrito acima são fatos, e portanto, indiscutíveis.


Agora, também é muito fácil – tanto que isso é o que pode ser visto na maioria absoluta das análises sobre a semifinal do Estadual – ignorar completamente que o tempo que Flu levou para construir sua boa vitória na etapa final poderia ter sido o tempo para o Vasco mudar a história do jogo, ainda no primeiro tempo.


Depois do início avassalador do Fluzim – nos cerca de vinte minutos iniciais da partida – quando realmente mal vimos a bola, o Vasco conseguiu equilibrar a partida e criar alguma coisa. E nessa hora, tivemos três chances claras de gol: o Gilberto, que pegando uma sobra de frente para o gol, a dois passos da pequena área, conseguiu colocar a bola pra fora; Nenê, que recebeu belo passe de cabeça do Luis Fabiano e, de cara pro gol, chutou em cima do Cavalieri; e por último, Luis Fabiano, que conseguiu cabecear sozinho uma bola cruzada, mas errou completamente o ângulo da cabeçada, mandando a bola do chão para o alto, acima do travessão.


Se uma dessas bolas tivesse entrado e fossemos nós a ter aberto o placar, o segundo tempo seria completamente diferente. Claro que isso não seria nenhuma garantia de vitória, mas a pressão mudaria de lado e as coisas poderiam ter ficado mais fáceis.


Não estou querendo, de maneira alguma, discutir a larga diferença técnica, tática e física entre os dois times, obviamente sendo o Fluminense quem tinha a vantagem em todos esses quesitos. Mas não se pode ignorar a influência da aparentemente infinita capacidade vascaína em perder gols feitos no resultado do jogo. Ao desperdiçar essas três chances, o Vasco permitiu que a molecada do Flu jogasse os 90 minutos com toda a calma e alegria condizente a um time de garotos habilidosos e em boa fase.


Um time limitado como o Vasco, que sempre joga no limite da sua capacidade, não pode perder as chances que perdeu, ainda mais contra um time que jogava com a quinta marcha engatada quando nós parecíamos estar com o freio de mão puxado. O atropelo do Flu é inegável, mas também não se pode negar que ao ficar deitado no meio da pista, o Vasco ajudou bastante a missão do tricolor.



As atuações…


Martin Silva – sofreu três gols, um deles foi debaixo das pernas, e ainda assim foi o melhor do time em campo. Fez uma penca de defesas que, se não foram milagrosas, foram salvadoras.


Gilberto – inaceitável o gol que perdeu ainda no primeiro tempo da partida.


Rodrigo – se for para passar o Brasileiro levando lençóis como o que levou do Lucas no lance do segundo gol tricolete, é melhor se aposentar agora.


Rafael Marques – penou com o ataque veloz e habilidoso do Fluzim. Não foi visto nos gols que sofremos em jogadas de chuveirinho na nossa área.


Henrique – teve problemas para fechar sua lateral, mas mostrou mais empenho que qualquer outro jogador da defesa. Impediu um gol feito do Flu no primeiro tempo, cortando dois chutes no mesmo lance. Saiu para a entrada do Manga, que ainda tentou empurrar o time para o ataque, mas em um momento em que a situação já era irreversível.


Jean – levou um amarelo aos cinco minutos e continuou tendo que apelar para as faltas para tentar parar o Fluminense. Um milagre – ou melhor, a falta de critério do juiz – fez com que permanecesse em campo até o fim.


Douglas – sua expulsão foi completamente injusta, mas vinha fazendo uma partida bem aquém do que pode. Cometeu um pênalti no primeiro tempo, ignorado pelo juiz.


Yago Pikachu - só apareceu no jogo depois de inverter sua posição com o Guilherme, mas ainda assim, teve uma atuação pra lá de discreta. Thalles e sua centena de quilos entrou no seu lugar e não precisou nem de um minuto para mostrar porque é banco: mesmo com a arbitragem ignorando sua posição irregular, perdeu um gol tendo apenas Cavalieri à sua frente.


Guilherme – Puxou alguns contra-ataques, mas sempre precisando recuar muito para buscar jogo, acabou sendo superado pela marcação tricolor na maioria das vezes. Terminou o jogo na lateral esquerda.


Nenê – um jogador no qual todos depositam tanta confiança não pode perder o gol que perdeu no primeiro tempo.


Luis Fabiano – deu um passe excelente para Nenê (que desperdiçou na cara do gol) e perdeu um gol feito ao cabecear mal. Tirando esses lances no primeiro tempo, fez muito pouco (ou seja, ficou na média do que fez ao longo do campeonato). Deu lugar ao Wagner, que tentou ajudar na marcação e aparecer como homem surpresa no ataque, mas entrou quando já não havia mais nada a fazer.


***


Já estávamos fora da Copa do Brasil e agora, o sonho do tricampeonato estadual também se foi. Restará ao torcedor vascaíno torcer por um Brasileiro sem muitos problemas. Mas diante do que vimos nesse Carioca, Milton Mendes terá muito trabalho para manter essa equipe longe das posições inferiores da tabela.


Infelizmente, essa é uma rotina quebrada muito poucas vezes nos últimos 17 anos. E em boa parte desse período, quem presidia o clube era o atual mandatário, o Sr. Eurico “Dotô” Miranda. Caberá e ele e à sua diretoria reforçar o time para evitar um quarto rebaixamento em menos de 10 anos (e, vale lembrar, o terceiro no qual sua gestão teve envolvimento direto).


Há ainda muitos fãs do dirigente, que o consideram uma figura indispensável para o clube. Esses, certamente não acham nada demais ver o Vasco como coadjuvante no futebol nacional. Desde que se ganhe um Carioca aqui e outro acolá, o Dotô seguirá bravateando e dizendo que “o Vasco é locomotiva, não vagão”. Mesmo que esteja bem distante dos clubes que atualmente são forças no cenário brasileiro.


Nesse ano há eleições e o tri carioca, que certamente seria o carro-chefe de uma possível reeleição de Eurico, não acontecerá. Resta saber se os sócios acharão que se manter na Série A esse ano é o bastante para manter o clã Miranda no comando do Vasco.


Isso, claro, se conseguirmos nos manter na elite esse ano.