Eliminação na Copa do Brasil é alerta para o Brasileiro

Gazeta Press
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Nenê e Luis Fabiano não foram capazes de garantir a classificação vascaína para a próxima fase da Copa do Brasil


A derrota para o Vitória por 1 a 0, no Barradão, deixou claro um fato que muitos podem não acreditar, mas que agora seria negação da realidade não aceitar: o Vasco não chegou nem de perto a ameaçar a classificação da equipe baiana para a quarta fase da Copa do Brasil.


Não se pode dizer nada diferente disso sobre uma equipe que, em mais de 180 minutos de futebol, não conseguiu nada além de marcar um golzinho em um lance de pênalti na partida de ida e que na partida de volta, precisando marcar gols, tira um atacante da equipe, deixa o centroavante isolado e coloca um meia que, ofensivamente, é praticamente uma nulidade.


O Vasco foi uma bagunça nos dois jogos e mesmo quando conseguia ter um certo predomínio diante do rubro-negro, pouco fez. Conta-se nos dedos de uma das mãos as defesas que o goleiro do Vitória precisou fazer. Defesa difícil, que eu me lembre, apenas uma (no jogo de ontem, em uma cabeçada à queima-roupa do Luis Fabiano).


Falar sobre a responsabilidade do Cristóvão em mais esse fracasso é redundância. Dar-lhe o devido desconto pelas dificuldades em montar um time praticamente do zero e sem ter todos os jogadores em perfeitas condições físicas e técnicas ou apontar os inúmeros equívocos que ele já cometeu nesses dois meses e pouco no comando do Vasco ficou repetitivo. E nada disso muda um fato: faltam 50 dias para o início do Brasileiro e até agora, Cristóvão comandou o Vasco em cinco confrontos contra times da Série A, sem vencer uma delas sequer.


Com o que temos hoje, como esperar fazer 45 pontos no Brasileirão?



As atuações:


Martín Silva – em um jogo em que precisávamos marcar gols, nosso goleiro foi o melhor jogador em campo. Além de não ter culpa no gol sofrido, evitou uma derrota por um placar bem mais elástico.


Gilberto – não chegou a completar dez jogos com a camisa do Vasco e já está em má fase. Foi pouco efetivo no apoio e falhou feio no gol do Vitória.


Rodrigo – se contundiu no começo da partida e deu lugar para Jomar, que entrou quase marcando um gol contra, mas até que se saiu bem nas bolas aéreas.


Rafael Marques – o bonecão do posto foi importante em pelo menos um lance, quando cortou um contra-ataque que tinha tudo para terminar em gol do adversário, no segundo tempo.


Henrique – mesmo sem apoiar muito, deixou espaços na sua lateral.


Jean - não dá pra reclamar do empenho que apresentou no combate, mas carece de mais intimidade com a bola, a quem deve chamar de Sra. Pelota de Couro. Thalles entrou em seu lugar quando o time já estava no desespero. Finalizou uma vez, mas isolou a bola.


Douglas Luiz – foi bem no primeiro tempo, fazendo bem a transição da defesa para o meio de campo. No segundo tempo acabou se deixando levar pela ansiedade, o que prejudicou seu desempenho.


Escudero – não é o pior jogador do mundo, mas em uma partida como a de ontem, sua escalação foi um erro. Contribuiu muito pouco para um time que tinha a obrigação de atacar. Deu lugar ao Kelvin, que se não consegue acertar uma bola no gol, pelo menos dá trabalho para a defesa adversária.


Guilherme Costa - foi o melhor jogador do primeiro tempo, mas sumiu no segundo, só sendo notado quando meteu a mão na bola duas vezes.


Nenê – algumas boas jogadas e cruzamentos, mas muito pouco para alguém tão importante no time.


Luís Fabiano – isoladão na frente e ainda sem o ritmo ideal, pouco poderia fazer. Quase marcou em uma cabeçada, mas foi parado por uma bela defesa do goleiro Fernando Miguel.


***


Nas nove edições de Copas do Brasil disputadas pelo Vasco com o Eurico Miranda como presidente, o clube só passou por clubes que disputavam a Série A em três oportunidades: Flu em 2006, mulambada em 2015 e o Santinha (que estava pedindo pra perder por conta da vaga na Sul Americana) ano passado.


Resumindo, quando se olha em retrospecto, a eliminação vascaína pelo Vitória não chega a surpreender. Não com a atual diretoria.