Cristóvão e a segurança de quem não corre riscos

JC Barbosa
JC Barbosa

Para seguir na Copa do Brasil, Vasco tem a obrigação de marcar gols


No Bola da Vez da última terça, quando perguntado sobre os critérios que definiram a vinda do Cristóvão para o Vasco, o presidente Eurico Miranda falou que vários foram os motivos da contratação. Mas na hora de citá-los, Eurico deu voltas, tentou fugir do assunto e terminou por citar dois: o treinador estava dentro da faixa salarial estipulada e o trabalho realizado pelo Cristóvão na sua primeira passagem na Colina tinha sido, segundo o próprio Eurico, muito bom. Com título, inclusive.


Como o Vasco não ficou bem de grana de ontem pra hoje e como não há jeito de mudar o que Cristóvão fez em 2011/12 (mesmo que o alegado título conquistado por ele como técnico nesse período não exista), realmente não há motivos para a diretoria trocar de treinador nesse momento. Talvez isso explique a aparente segurança que o treinador sinta no cargo, mesmo tendo a obrigação de vencer (ou conseguir um empate marcando dois gols ou mais) o Vitória fora de casa para continuar vivo na Copa do Brasil.


"Mas de onde você tirou que o Cristóvão está tranquilo, JC?”, vocês podem estar se perguntando. Eu explico, caros leitores, eu explico. A meu ver, só um treinador muito seguro diz continuamente que seu time tem jogado mal e, tendo pela frente um jogo eliminatório, não faz quaisquer alterações na sua escalação. Sim, porque tirar o Wagner da equipe não é uma alteração, já que o meia não poderia mesmo jogar por estar contundido.


Depois do futebol apresentado contra o Macaé e contra o próprio Vitória no jogo de ida, soa incrível que nenhuma mudança seja necessária. Cristóvão deve ter feito milagres com o time nesses dois ou três dias que teve para treinar para que isso seja possível. E tudo fica ainda mais surpreendente quando vemos que os mais cotados para substituir o Wagner são Andrezinho e Bruno Gallo (!?!?). O primeiro, vá lá que não tenha ido bem na última oportunidade que teve, ainda sabemos que pode render; já Gallo ser ao menos cogitado para uma partida na qual temos a obrigação de marcar gols é simplesmente inexplicável.


(Parêntese: Guilherme Costa deve ter mesmo algum grave problema nos treinamentos para ter tido tão poucas chances entre os titulares e perder sempre a posição para jogadores que, invariavelmente, têm feito menos que ele. Fecha parêntese)


Pode ser que Cristóvão tenha efetivamente pensado numa forma da sua equipe render mais sem alterações nesses dias que teve desde o terrível empate com o Macaé. É difícil crer numa evolução tão grande em tão pouco tempo, mas a lógica não costuma ser tão indispensável na vida de torcedor. Vamos acreditar na classificação hoje, esperando que a segurança que nosso treinador aparenta ter nos seus 11 escolhidos seja pelo que podem apresentar em campo, e não por ter o emprego garantido independente do resultado no Barradão.


VITÓRIA X VASCO


Local: Barradão
Horário: 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (Fifa-PA)
Assistentes: Helcio Araujo Neves (PA) e Heronildo Freitas da Silva (PA)


VITÓRIA: Fernando Miguel, Patric, Kanu, Alan Costa e Geferson; Willian Farias, Zé Welison, Gabriel Xavier e Cleiton Xavier; Paulinho e Kieza


Técnico: Argel Fucks


VASCO: Martín Silva, Gilberto,, Rodrigo, Jomar e Henrique; Jean, Douglas Luiz, Andrezinho (Bruno Gallo ou Guilherme Costa) e Nenê; Kelvin e Luís Fabiano


Técnico: Cristóvão Borges