Ninguém se escuta no Vasco

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Nenê, autor do primeiro gol vascaíno, quer ouvir algo. Será a torcida ou as instruções de Cristóvão?


Os lances em que o Vasco sofreu os gols no empate em 2 a 2 com o Macaé servem para mostrar o quanto a equipe do Cristóvão Borges está longe de ser um time confiável. No gol de empate da equipe alvianil, fomos colocados na roda por quase dois minutos, com o adversário tocando a bola como queria em nossa intermediária, quase marcando uma vez, recuperando a bola e trabalhando até acertar o cruzamento que terminou nas redes vascaínas. No segundo gol, o Macaé armou um contra-ataque saindo da sua área e chegando ao nosso gol em três passes, sem que houvesse a menor chance de uma recomposição defensiva minimamente eficiente por nossa parte.


A falta de combatividade no primeiro lance e a fragilidade defensiva no segundo já seriam problemas graves, ainda mais se considerarmos que estávamos diante do pior time da competição, que não havia conseguido conquistar um pontinho sequer na Taça Guanabara mesmo contra times como Boavista e Nova Iguaçu. Mas se analisarmos também a dificuldade que tivemos para criar jogadas ofensivas ao longo dos 90 minutos (que basicamente se resumiram nos TRINTA cruzamentos feitos para o ataque) e que em muitos momentos estivemos mais perto de levar um terceiro gol que de chegar ao empate, é de se perguntar o que o Vasco fez de útil nesses mais de dois meses de trabalho em 2017.


Ainda é cedo para fazer cobranças ou para avaliar o desempenho de Cristóvão? Mesmo que consideremos as muitas dificuldades do treinador e a incompetência que tem mostrado uma meia dúzia de jogadores, é preciso lembrar que o tempo não para: quinta-feira decidiremos nosso futuro na Copa do Brasil fora de casa (e precisamos necessariamente marcar gols na partida) e com a Taça Rio já começada - estamos apenas com a quinta melhor campanha no campeonato, o que significa que estamos perto de sequer chegar à semifinal do Estadual.


Se Cristóvão está realmente passando instruções aos jogadores sobre o que eles devem fazer em campo, de duas uma: ou ele não sabe o que diz, ou seu elenco não escuta o que é dito. Assim como a diretoria também faz questão de não ouvir o que as arquibancadas têm gritado já não é de hoje.



As atuações...


Martín Silva – sem culpa nos gols, ainda precisou fazer algumas defesas com relativa dificultade.


Gilberto – teve boa chance quando apareceu para finalizar com uma cabeçada, mas deixou muitos espaços pela sua lateral. Ou seja, suas deficiências defensivas nem de perto compensaram suas qualidades no apoio. Yago Pikachu o substituiu no intervalo, não mudando em nada o cenário no setor.


Jomar – não se sabe se a aparente tranquilidade ao tentar fazer a saída de bola é calma mesmo ou a inaceitável lentidão para um jogador da sua idade. Falhou feio no primeiro gol macaense ao errar o tempo da bola no cruzamento.


Rodrigo – não muito melhor que seu companheiro de zaga, cometeu um erro bizarro para alguém da sua experiência no segundo gol. Compensou marcando o gol que evitou um vexame maior.


Henrique – ineficiente no apoio e muito fraco na marcação. Sua titularidade é uma das provas de que o elenco do Vasco ainda precisa de reforços para algumas posições.


Jean – muitas vezes fica sozinho à frente da zaga, mas foi envolvido vezes demais pelo apenas esforçado meio de campo do Macaé.


Douglas – novamente um dos poucos a se salvarem, buscando o jogo e tentando ajudar na criação de jogadas (foi dele o passe para Nenê marcar o primeiro gol vascaíno). Mas em alguns momentos poderia ser mais presente na marcação.


Wagner – continua muito pouco efetivo para merecer a titularidade no lugar do Guilherme, que acabou o substituindo. E o garoto, ainda que não tenha conseguido fazer a diferença, apareceu bem mais para o jogo.


Nenê – fazia tempo que não era o melhor do time: marcou um golaço e levou perigo nas bolas paradas (colocando uma bola na trave em cobrança de falta). Mas não fez o suficiente para nos levar à vitória.


Kelvin – sua habilidade só tem servido para que cisque pelo campo quase sem ser efetivo. E ainda finaliza muito mal (nas raras vezes que tenta) Muriqui entrou em seu lugar e pelo tempo que está “buscando a melhor forma” é de se perguntar se sua completa inexpressividade já não é coisa de quem está com má vontade com o time.


Luís Fabiano – teve uma boa estreia, mesmo não marcando. Assim como o Thalles, recebeu pouquíssimas bolas, mas mostrou habilidade nesses raros momentos. Quase marcou, o que não aconteceu por conta de uma defesa incrível do goleiro adversário e participou do lance do gol de empate.