Nove jogadores do Tottenham que precisam se provar nessa temporada

Pochettino retornou hoje ao Hotspur Way. Significa que a temporada 2017/18 já está oficialmente rolando. Junto dela, como sempre, surgem as pulgas atrás da orelha que incomodarão a comissão técnica (e a torcida, de certo) nos próximos dez meses. 


Com uma janela de transferências praticamente nula até agora, Poch só tem a próprio turma para olhar e se preocupar. Mas quais devem ser as grandes dúvidas do técnico com seu elenco? Quais são as peças do grupo que estão na corda bamba nestes primeiros momentos de pré-temporada?


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Campeão mundial sub-20, a grande prata da casa terá uma temporada para se garantir na equipe


1. Joshua Onomah


O grande regente do meio de campo da seleção inglesa campeã do mundial sub-20 terá pela frente uma temporada para moldar e decidir seu futuro. Com os Três Leões no peito, Josh saiu da posição na qual atuava nos Spurs para virar o termômetro da equipe. Fazendo a função de um clássico camisa 8 (apesar de jogar com a 7), o garoto explorou suas habilidades recebendo bolas diretamente do goleiro para ser o arquiteto das jogadas e desarmando muito na faixa do círculo central. A semelhança com Dembélé é nítida. Mais recuado, parece que Onomah encontrou sua posição ideal.


A mudança, porém, é uma notícia tão boa quanto ruim. Na primeira linha do meio de campo do Tottenham, a competição é muito mais acirrada do que na meia, onde Eriksen e Alli praticamente não contam com um substituto imediato - Dembélé, Wanyama, Dier e Winks estão há tempos numa briga que pode deixar Onomah para escanteio.


Pochettino é fã do futebol de Josh, mas ficou claro que o garoto deixou muito a desejar na última temporada jogando na armação (tanto centralizado quanto mais aberto). Resta saber se o argentino vai se entender bem o bastante com o inglês para mantê-lo no grupo fazendo a função que melhor lhe cabe.


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Camisa nove só fazendo gol de pênalti ou contra time pequeno? Já vi um espanhol bem assim...



2. Vincent Janssen


O apelido de ‘Soldado holandês’ infelizmente lhe serviu bem em sua primeira temporada com o Tottenham. Janssen até teve uns e outros flashes de um ótimo centroavante, mas no geral foi uma decepção como todos os outros camisas 9 que apareceram desde Berbatov.


A prova de que Vince realmente deixou muito a desejar é o fato da imprensa ainda especular mais a contratação de centroavantes do que, sei lá, laterais. A insatisfação com o estado atual do setor ofensivo do elenco é o mais puro reflexo da frustração com o holandês - sentimento que certamente não é exclusividade da torcida ou da mídia, mas também da comissão técnica que o deixou fora até do banco de reservas em inúmeras oportunidades a partir da virada do ano.


Janssen tem - bem como Soldado tinha - todo o apoio e carinho da torcida que ainda espera ver no White Hart Lane (ou melhor, no Wembley) o autor de quase 30 gols na Eredivise com um time de meio de tabela, mas toda paciência tem fim e a margem de erro para esse Tottenham que quer brigar por título não permite que muitas chances sejam concedidas para quem simplesmente não está no nível. Essa campanha será de “ou vai, ou racha” para o camisa 9.


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A grande aposta da base dos Spurs deve ter mais chances para mostrar serviço nessa campanha


3. Marcus Edwards


Edwards talvez seja o grande expoente das safras mais recentes das categorias de base. Não faltaram comparações com grandes craques do futebol quando o garoto foi cogitado para o time profissional no ano passado - canhoto, jogando pela direita, habilidoso demais para um atacante e letal demais para um meia; claro que até Lionel Messi foi citado.


Mesmo assim, o ponta teve pouquíssimas chances com a equipe principal na última temporada (não somou nem 90 minutos em campo e teve só 15 minutos de ação em competições oficiais, fora de amistosos). Acontece que neste ano, Marcus completa 19 primaveras de vida e entra oficialmente naquela fase da carreira onde um jogador deve mostrar seus serviços e definir se vai andar no caminho dos diamantes brutos ou no das eternas promessas.


Na falta de opções para o último terço do campo, Pochettino pode dar para o garoto uma chance de mostrar seu valor.


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Um rosto pouco familiar para quem viu o Tottenham na última temporada



4. Georges Kevin Nkoudou


Quem achou que Janssen foi a maior decepção entre os novos recrutas da última campanha deve ter se esquecido da existência de Nkoudou - e nem há como culpar quem esqueceu, já que realmente foi difícil vê-lo em outro lugar além do Instagram.


Os trinta e tantos minutos de ação na Premier League e outros poucos na Champions League já pareciam suspeitos demais para serem só “opção técnica” de Pochettino - o francês foi o único jogador do time principal (desconsiderando os atletas promovidos da base) que não jogou uma partida completa pelo Tottenham na temporada passada -, mas foi revelado em março desse ano que o treinador nunca quis contratá-lo e não teve a última palavra na negociação: a transferência foi um “ato político entre presidentes”, uma troca de favores que, no das contas, decretou a ida definitiva de N’Jie para o Olympique de Marseille.


Contando ou não com o jogador, Poch reportadamente teve motivos para deixá-lo de fora da equipe. O rendimento do francês não era bom nem nos treinos e as atitudes extra-campo o pintaram um jovem bem imaturo. Mesmo assim, há muita expectativa para saber se Nkoudou ainda pode vir a cumprir a promessa que nos foi vendida com sua contratação, e essa prova não pode mais esperar muito tempo.


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Com tudo para ser craque, Winksy não pode deixar a pelota cair nessa campanha



5. Harry Winks


Tá certo que o garoto comeu a bola na última campanha e, na teoria, não teria motivos pra estar nessa lista, mas a vida é cruel e vive fazendo questão de nos lembrar de seu poder de destruir expectativas através mais variados meios, então, na prática, ainda é plausível se preocupar com a performance de Winks.


Preparado para ser o substituto natural de Dembélé, o garoto tem tudo o que é preciso para se firmar na equipe principal e desmantelar com as próprias mãos (ou pés) a necessidade do clube de contratar atletas de peso para a primeira linha do meio do campo - afinal, ele próprio pode vir a se tornar um -, mas com a nova concorrência do supracitado Onomah e a possível readaptação de Dier no meio de campo, Winksy terá que suar o dobro para fazê-lo.


Além disso, uma lesão grave no tornozelo tirou o camisa 29 do final da última temporada. Será possível que seu condicionamento físico tenha sido prejudicado a ponto de colocar suas performances em cheque?


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Nosso zagueiro-zagueiro das canteras, CCV precisa se firmar na equipe principal



6. Cameron Carter-Vickers


O zagueiro estadunidense assinou seu contrato profissional no início da temporada passada se firmou como um dos grandes prospectos da casa. Forte, inteligente e técnico, Cameron até foi bem em alguns momentos em que foi exigido, mas deixou muito a desejar na EFL Cup e na FA Cup a ponto de não ser mais escalado desde março até o fim da temporada.


Se ninguém chegar, o Tottenham seguirá contando com apenas quatro zagueiros de ofício para duas (e às vezes três) vagas - ou seja, se alguém for suspenso ou se contundir, o último da lista vira substituto imediato. Nesse caso, é necessário que Carter-Vickers esteja em ponto de bala para não decepcionar. E caso decepcione outra vez, provavelmente dará seu espaço para outro candidato ao fim da campanha.


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Garçom silencioso, Trippier foi o defensor com mais assistências da última Premier League (5)


7. Kieran Trippier


Trips está na lista por dois grandes motivos: a possível (mas ainda improvável) saída de Walker para o Manchester City, que automaticamente lhe faria tomar a titularidade da equipe, e o rodízio de Pochettino com os laterais no esquema de três zagueiros.


O primeiro ponto não precisa de explanação; se a vaga de titular cair em seu colo, Trippier vai precisar mostrar muito mais futebol para que Poch não corra atrás de um atleta mais completo para a posição. Quer dizer, o lateral-direito não foi mal na última campanha - muito pelo contrário, inclusive -, mas não é bom o bastante para ser titular num time que quer brigar por títulos tão complicados.


Isso serve de gancho para o segundo ponto: Kieran deixou a desejar na formação com três zagueiros exatamente por não ser tão completo, sempre apoiando mal, mas cruzando bem, e defendendo bem, mas se posicionando mal. E, tudo bem, é nítido que ele não tenha 60% do poder físico de Kyle Walker, mas tecnicamente é tão bom quanto. Se conseguir desenvolver ainda mais o seu jogo nessa temporada, pode se tornar uma peça ainda mais importante no elenco.


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Gols marcados contra o Tottenham nos clássicos em 2016/17: Arsenal 0, Wimmer 1


8. Kevin Wimmer


Há quem diga que o zagueiro está de malas prontas, mas você sabe como é a janela de transferências; todos estão de malas prontas para ir a lugar nenhum. A permanência de Wimmer é 99% certa para essa temporada, mas só as boas performances do austríaco poderão assegurá-lo na equipe daqui a um ano.


Na última temporada, o garoto de 23 anos não conseguiu repetir os desempenhos impecáveis que teve quando substituiu Vertonghen (contundido) por quase cinco meses em 2015/16. Fez até gol contra em derby e deu assistência para atacante adversário.


Se Kevin voltar ao ponto que estava na temporada retrasada, Vertonghen terá nele seu substituto natural, mas se sua curva descendente tiver continuidade, o zagueiro certamente terá passe livre para sair do clube o quanto antes.


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Um colosso sem regularidade assegurada



9. Eric Dier


Eu sei que é estranho ver o nome dele aqui, mas o motivo pelo qual ele está nessa lista é bem diferente do dos outros.


A qualidade de Dier é incontestável, mas a titularidade do jovem inglês está longe de estar assegurada. Wanyama subiu o nível do meio de campo, Dembélé é insubstituível e a linha de quatro lá atrás é pedra fundamental de todo o esquema. No fim das contas, o camisa 15 só é titular quando Pochettino joga com três zagueiros, coisa que não é tão frequente.


Nesse caso, até que ponto Eric está disposto a se manter como peça de reposição no elenco ao invés de se mudar para outra equipe que lhe garanta uma vaga no time titular? Ou será que o garoto é capaz de retomar seu espaço na equipe, remodelando o sistema de Poch e jogando para o banco algum atleta que está abaixo do nível? A resposta para isso pode (e deve) vir nesta temporada.



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Obs:. não citei Moussa Sissoko porque este não precisa mais se provar - já deixou bem claro que é um bagre.