Outro fim antecipado para outra campanha brilhante dos Spurs

No primeiro dia do ano de 2017, a diferença do Tottenham para o topo era de 13 pontos. 3 atrás do City, 4 atrás do Liverpool e 7 atrás do Arsenal - quem é que amarelou mesmo, então?. Quando tomamos a vice-colocação, precisávamos de 14 vitórias seguidas pra sonhar com a taça. Conseguimos 10 (e ainda faltam três partidas pra jogar). Dos últimos 30 pontos disputados, só deixamos de somar 3. Era pra dar orgulho, se as expectativas não fossem tão altas.


De novo, fomos o único time que botou alguma pressão real nos líderes. Com o menor orçamento do “top 6”, Pochettino foi o único entre Guardiolas, Klopps e Mourinhos que seguiu na cola de Conte até os últimos dias do calendário competitivo. Por essas e outras, a narrativa não teve nada de spursy. Culpe a marcha lenta do começo, culpe erros pontuais no decorrer da campanha, mas não culpe esse estigma batido.


De novo, o Tottenham não perdeu o título, simplesmente porque nunca esteve em posição de defendê-lo (em português mais claro, pra quem está se esforçando pra não entender, a liderança definitiva nunca foi alcançada). É impossível perder algo que nunca se teve. Devemos ser julgados por ter um time que consegue nos fazer sonhar alto demais?


Dessa vez, é mais do que justo congratular o Chelsea pela campanha. Sem loterias genéticas, sem polêmicas de arbitragem, sem lobby de corpo mole - os Blues só fizeram jus ao orçamento mais robusto e ao elenco mais qualificado. Foram mais frios e mais letais do que nós durante toda a temporada. A camisa manchada de petróleo russo não é história pra agora.


Getty Images
Getty Images


Por que tinha que ser com a gente outra vez? Por que nós tínhamos que viver mais uma das melhores temporadas da nossa história ao mesmo tempo em que o Chelsea se reergueu das cinzas? Por que nosso planejamento de uma década teve que dar de cara, dessa vez, com uma italiano metódico e um orçamento astronômico?


Ainda parecemos estar fadados à decepção, mesmo que num outro patamar. E o fim dessa história nos doeu mesmo, como o fim da história passada. Mas talvez não saibam que, de novo, estamos tão orgulhosos da nossa campanha quando os torcedores dos Blues devem estar da deles. Segundo melhor ataque, melhor defesa, melhor saldo, melhor futebol e imbatíveis dentro de casa (até agora) justamente na última campanha no White Hart Lane. No papel e na tabela, estamos entre a elite da Europa. Além do mais, faz bem sonhar alto. Echoes of glory, lembra?


A preocupação que resta é manter esse grupo e reforçá-lo do melhor jeito possível. Perder peças importantes da equipe vai ser pior do que perder qualquer clássico. O retrocesso é que deve ser o grande motivo de apreensão e agonia, não essas decepções pontuais - se você conhece o Tottenham, já deveria estar acostumado com isso.


Essa ressaca moral é passageira. O West Ham vai continuar sendo a mesma bosta na semana que vem. Nós seguimos com o projeto. A briga pelo topo em duas temporadas consecutivas não é coincidência. Nosso sorriso pleno é questão de tempo.