O amor de Louisa: 80 anos de Tottenham, 72 de White Hart Lane

Uma senhora bem, bem velhinha apareceu no mesmo grupo que eu tava pra fazer o tour no White Hart Lane. Camisa do Bobby Smith com o número 9 nas costas e a escalação do time de 61 no peito com alguma frase motivacional que eu não consegui identificar qual era.


Parecia especialmente maravilhada com o que via, mais do que as crianças que entravam nos bastidores do estádio pela primeira vez e mais do que eu, que cruzei um oceano pra estar lá. Na frente do Hall da Fama, ela comentou com voz calorosa sobre cada um dos jogadores que chegou a conhecer pessoalmente. Tinha uma breve história pra contar sobre cada um deles. Eu sorria toda vez que olhava pra ela, e ela notava e sorria de volta. Nos camarotes, me contou que ia pra lá com o pai e fez questão de levar seu filho e seus netos desde bem pequenos.


Em dado momento do tour, nos sentamos no alto do shelf side com o resto do grupo e o guia comentou sobre a demolição do estádio. Baixou um silêncio de velório. Ela observou seu entorno, parou os olhos no placar do Park Lane, no cockerel dourado, no buraco que dissecou o córner oposto. Deu pra entender tudo sem falar nada.


Tirei essa foto quando estávamos saindo do prédio. Ela parou pra espiar aquela carcaça gigante de metal e concreto que já engoliu o antigo estádio e ficou ali na janela, com expressão de cachorro em mudança, por quase um minuto. "It's just not going to be the same, you know?"


O nome dela é Louisa. Um amor de senhora. 84 anos de idade, 80 de Tottenham e 72 de White Hart Lane. E eu juro que não tinha deixado uma lágrima cair por causa dessa porra toda até ali.


Arquivo pessoal
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