Com a lesão de Kane, acabou a temporada do Tottenham?

Em setembro do ano passado, ainda na quinta rodada do campeonato, Harry Kane marcou o gol da vitória magra contra o Sunderland pouco antes de sair de campo estirado numa maca. Passou quase pouco mais de dois meses afastado e deu chance para Sonny assumir o comando do ataque por algumas partidas.


O camisa 10 teve problemas sérios nos ligamentos do tornozelo direito. Voltou em novembro, a tempo de evitar uma derrota contra o Arsenal no Emirates, e emendou 15 gols em 17 jogos pela Premier League. Assumiu a artilharia isolada e tomou as rédeas do setor ofensivo visando os últimos meses da temporada mais representativa para o clube em décadas, seguindo o Chelsea de longe na tabela da liga e com um adversário londrino (sinônimo de gols pró) nas quartas da FA Cup.


Mas mesmo vivendo uma fase absurda, Kane vinha sendo avaliado fisicamente antes de todos os jogos desde a partida contra os falsos nortistas em novembro, se precavendo caso o frágil local da lesão viesse a incomodar de novo na metade final da temporada.


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Aos cinco minutos de jogo, a inesperada lesão do artilheiro



Lesões são como derrotas: por mais que tentemos nos convencer da baboseira de que elas tem horas boas e ruins para acontecer, todas são difíceis de aceitar, engolir e superar. O tornozelo de Harry não incomodou até ser tirado do lugar outra vez, num lance inesperado ainda antes dos dez minutos de bola rolando nas quartas de final contra o Milwall. Agora, com onze jogos restantes na Premier League e as decisões da copa ainda para serem disputadas em menos de dois meses, realmente não havia momento pior para o craque do time ficar de molho.


O veredito do departamento médico é que a contusão foi exatamente a mesma sofrida no jogo contra o Sunderland no ano passado, mas menos grave. E mesmo assim, não foi definido um prazo de retorno. Pode ser que a recuperação de Kane dure duas semanas ou dois meses e hoje não há quem o diga com grande precisão.



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Então, a temporada do Tottenham acabou?” Não, nem de longe. É possível que o craque volte a tempo de jogar a semifinal da copa, no penúltimo final de semana (22 ou 23) de abril, bem como é possível que o time se ajeite bem sem ele lá na frente, caso seu regresso demore mais do que o esperado.


Lembra daquele jogo contra o Manchester City no primeiro turno? Pois bem, foi o primeiro grande embate da temporada do Tottenham sem a presença do lesionado Harry Kane, e Guardiola teve sorte por ter tomado só dois naquela oportunidade. Foram quatro vitórias seguidas (Gillingham, Boro, CSKA e City) sem o atacante. Mas como a gente não nasceu pra ser plenamente feliz, o time não conseguiu vencer as SETE partidas seguintes. No fim das contas, nenhuma expectativa pode realmente ser bem fundamentada e não nos sobra nada muito palpável para acreditar.


Dá pra botar as fichas em Heung-Min Son? Tendo espaço para ser a referência da equipe no ataque, talvez o sul-coreano consiga reviver a ótima fase do início da temporada e fazer o papel de artilheiro. Sonny já soma 12 gols e 6 assistências na temporada - números bem relevantes para um reserva, comparáveis (e até superiores) aos de Pedro no Chelsea, Firmino no Liverpool e Sterling no City - e pode ser um trunfo de Pochettino para trazer mais tenacidade ao ataque.


Ou seria essa a hora de apostar na redenção de Janssen? Afinal, convenhamos, o roteiro é bem propício pra uma história como essas. O último artilheiro da Eredivise que chegou para ser o backup de Kane e acabou fazendo cosplay de Soldado marcou seu primeiro gol com a bola rolando nos minutos finais da partida contra o Millwall e pode levar o tento como combustível para tirar seu nome do calvário logo no momento mais frágil da campanha.


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Queime seus neurônios, Poch, mas não nos deixe na mão


Meu palpite? O lado otimista diz que Kane volta logo, mas Sonny segura a barra e Vince faz a função de Luís Fabiano - o artilheiro dos gols inúteis, o cara do terceiro gol da vitória por 3-0. O lado pessimista também não crê que Kane demore mais de um mês e meio para retornar, mas as próximas rodadas da Premier League serão primordiais para definirmos pelo que devemos nos sacrificar no apagar das luzes, e os dois suplentes provavelmente não tem as costas tão largas para aguentar o tranco.


É o famoso “vamos ver o que vem por aí, não dá pra saber ainda”, mas o mundo não acabou e a temporada está longe de estar fadada ao fracasso depois desse revés. Obstáculos e contratempos forjam grandes feitos. Tottenham’s gonna do it again.