Luxa na área: quanto mais insano, mais Sport

Um bom sinal de que as coisas estão bem erradas em um time de futebol é quando um treinador com menos de dois meses de trabalho já não consegue fazer o time jogar - e foi isso que derrubou Ney Franco, e não a derrota na final da Copa do Nordeste, com empate em casa e revés fora pelo placar mínimo, como certos comentaristas esportivos querem fazer crer.

Ney Franco, o cosplay de músico ruim de restaurante de quinta categoria, é um caso raro de treinador que foi contratado por capricho, mantido por capricho e mandado embora, ao vivo na TV e no rádio, por capricho. Coisa que só clube gerido por almofadinha é capaz de fazer.

Foi para a vala comum onde repousam outros indigentes que por um tempo fizeram do uniforme de treinador do Sport o próprio túmulo, como Oswaldo Oliveira e Falcão em tempos mais recentes e Alexandre Gallo dez anos atrás.

Então surgiu aquele alvoroço que só nome de Vanderlei Luxemburgo ainda consegue causar quando se fala em treinador brasileiro. De quinta a domingo só se falava que o velho Luxa iria acertar com o Sport.

Enquanto isso, a diretoria anuncia ingressos a 60 reais para um jogo na quarta à noite, transmitido por TV aberta e que o time precisava vencer.

Amebas perceberiam com clareza a burrice - ou más intenções - por trás disso.

Mas antes desse jogo, havia outro, em casa, pela terceira rodada do Brasileiro, na ressaca do título perdido. Sorte que era contra um misto de reservas e atletas da base do Grêmio.

Um time tão fraco que abriu 2 x 0 em menos de 20 minutos.

Como o Sport virou esse jogo e chegou a abrir 4 x 2, nem Einstein conseguiria explicar. O que se sabe é que André, que não marcava a cinco jogos, fez três. E Matheus Ferraz, o zagueiro que joga rugby, fez outro.

Mas claro que não poderia ser uma vitória com ares de tranquilidade e Matheus Ferraz outra vez deixou uma de suas lamentáveis marcas registradas: o pênalti acéfalo. E Fernandinho, que já tinha feito um, marcou mais outro e diminuiu para 4 x 3. Debaixo de chuva tem mais é que sofrer nos acréscimos mesmo.

Daniel Paulista, mais uma vez acionado para salvar o mundo do Sport, não decepcionou. Fez até a diretoria recuar e botar ingressos mais baratos para o jogo decisivo da Copa do Brasil no meio da semana.


Washington Alves/Light Press
Washington Alves/Light Press


E pensar que tudo isso foi a parte normal dos últimos dias, porque loucura mesmo foi o que aconteceu no fim da tarde de segunda-feira: Luxemburgo, aquele que não vinha, foi anunciado como treinador do Sport.

Eis que o mundo exige que todos tenham uma opinião sobre o que ele pode fazer no Sport. Este espaço só tem uma coisa a dizer.

Luxemburgo fará no Sport o que não conseguiu fazer na Europa. Afinal, a única diferença para o Real Madrid é que no Sport todo mundo fala português, então Luxa não terá problemas com o idioma.

Mas isso desde que ele venha mesmo. Quem lembra de Túlio e Basílio no início do século XXI vai entender.