Os milagres de Magrão e o 'estilo Jadilson'

Era uma noite chuvosa de agosto de 2005, ano do malfadado centenário e da chegada de Magrão. Sport e Bahia se enfrentavam pela antepenúltima rodada da Série B. Ambos brigando para não cair para a Terceira Divisão. Bahia abre o placar no primeiro tempo. Amplia no segundo. Éder e Jadílson saem do banco de reservas.


Éder diminui. Jadílson empata. Jadílson, em um lance de dimensões bíblicas, vira o placar. Únicos três pontos conquistados nos últimos quinze disputados. A vitória que garantiu a permanência. Naquele dia nasceu o estilo Jadílson de vencer.


O estilo Jadílson impregnou-se em definitivo na alma do Sport Recife nos anos seguintes. Vencer com facilidade? De preferência jamais. O jogo está fácil, dá até para golear? Há sempre um caminho para transformar em mais uma vitória ao estilo Jadílson.


Vejam vocês as três últimas partidas do Sport:


Jogo de ida contra o Joinville pela Copa do Brasil: Chuva, Rithely metendo golaço de voleio e vantagem no primeiro tempo. Tiro de meta cobrado de lado, saída errada de Matheus Ferraz, bola recuperada pelo Joinville, empate. Sufoco em casa e golaço tirado da cartola por Juninho a sete minutos do fim.


Primeira semifinal do estadual contra o Náutico: Chuva, dezenas de chances perdidas, falha de Magrão, falha da defesa e jogo perdido por 2 x 1 até os 45 do segundo tempo. Dois gols de Juninho - vindo do banco - em menos de dois minutos e virada no placar.


Jogo de volta contra o Joinville pela Copa do Brasil: Cinco titulares poupados, sufoco dos catarinenses, Magrão enfileirando milagres, gol achado de Leandro Pereira a menos de vinte minutos do final, 3 x 1 no placar agregado, ufa, é só defender direitinho e avançar às oitavas-de-final...


Não.


É preciso levar a torcida a experiências de quase-morte. Falha de Matheus Ferraz, empate do Joinville. Falha de Durval, de Matheus Ferraz, de todo o setor defensivo, da Matrix, do escambau e gol de virada no último minuto, como uma 'compensação' pelo que acontecera dias antes contra o Náutico.


Pênaltis e uma certeza: Magrão sempre defende uma cobrança. Dito e feito.


Mas claro que Leandro Pereira, goleador no tempo normal, perderia o dele logo em seguida. De volta à estaca zero.


Lenis quase perde o dele. Magrão pega mais um. Zagueiro para fechar a série. Mas não um zagueiro qualquer, e sim Matheus Ferraz. Cobrança no meio do gol.


Classificação assegurada, alguns cabelos e células nervosas a menos e uma certeza: vencer é um mero detalhe, o importante é não deixar o estilo Jadílson morrer. Mesmo colocando a própria vida em risco.


P.S.: Nesse ínterim, o Supremo Tribunal Federal julgou o caso 1987 e mais uma vez o Sport venceu. Mas isso já não importa faz tempo.