Sport x Náutico: quando o mundo invadiu o Arruda

Era um domingo quente de março, e o verão, ao menos no calendário, acabaria em uma semana. Mas era Recife, onde o calor não respeita estação, era dia de Náutico x Sport no estádio do Arruda. Nunca antes na história de Pernambuco tantas pessoas foram de uma só vez assistir a uma partida de futebol entre clubes.


Nem depois.


Tempo de ingressos trocados por notas fiscais, de torcidas divididas meio a meio – podem acreditar, metade era de torcedores do Náutico, certamente reforçados por tricolores –, era o ano de 1998.


Era dia de aniversário de um velho amigo de colégio e de arquibancada. Acordar dez da manhã, passar por lá, no bairro da Torre, antes do meio-dia. Beber umas cervejas, ir de ônibus até perto do Arruda, sair antes das duas para dar tempo.


Uma latinha na mão outra no bolso, seca a primeira, a segunda já esquentou, dane-se, busão não demorou, massa, vai dar tempo de chegar antes de começar o jogo, boné roubado na hora de entrar, beleza, dentro do Arruda e a bola não rolou, ótimo.


A bola começa a rolar e as lembranças dependem de suporte, foi 2 x 0 para o Sport, só se sabe que Maurício Pantera fez um dos gols, não se sabe qual deles, mas se lembra que Maurício Pantera tinha um feito um gol nos 4 x 0 em cima do Central domingos antes, vindo do banco, e que ficou esbaforido ao correr para comemorar. Parecia estar em forma.


No intervalo, uma notícia que jamais seria esquecida: Tim Maia, que viria ao Abril Pro Rock no mês seguinte, falecera no Rio de Janeiro.


Não há vídeo do jogo no YouTube, os relatos registrados na internet são difíceis de encontrar. A única certeza é que naquele 15 de março de 1998 mais de 80 mil pessoas foram ao Estádio do Arruda ver um jogo de futebol em que o Sport fez 2 x 0 no Náutico. Essas linhas foram escritas por uma dessas pessoas.