O Sport e o Inferno de 'Dani'

Por Walfrido Neto


A cada reforço que chega à Ilha do Retiro, cria-se uma expectativa de bons resultados, bom futebol e, lógico, aflora a clássica megalomania da torcida do Sport.


Campeonato Pernambucano é ridículo, Copa do nordeste é pouco, queremos o Brasil, a Sulamericana, o mundo.


Mas como ganhar “o mundo” se dentro dele, e bem longe do topo, tem um River (não o “Plate”, o do Piaui mesmo), um Santa Cruz (almoçando galeto e com um jogador a menos durante todo um tempo) e um Náutico que apanha de todo mundo, e nosso milionário elenco não é capaz de vencer tranquilamente nenhum deles. Tudo bem, vencemos o poderoso River no carnaval, mas em casa só empatamos uma semana antes e sendo um dos gols, no rebote, de pênalti, aliás, é melhor nem entrar no assunto pênaltis. Não é, André "Balada"?


O fato é que a torcida que fingia que estava tudo bem até a fatídica derrota para o time do bairro dos Aflitos, afinal, o time ainda não havia perdido no ano, jogava algumas partidas com os reservas, podia-se debochar de tudo e todos aqueles clubes que colocam todas as fichas no estadual. O Leão da Ilha, “a Ferrari apostando corrida com os fusquinhas” não precisa fazer nenhum esforço para vencer, certo? Errado!


Assim como uma Ferrari, o “possante” elenco precisa de um motorista, alguém no comando, o “professor”, aquele que os jogadores respeitam, aquele que faz a máquina obedecer aos seus comandos, pois nem a mais avançada Ferrari vai muito longe no piloto automático.


Mas qual a razão de toda “essa cobrança exagerada”, conforme falou o atacante Leandro Pereira (será que ele acha exagerado perder quatro gols de frente para barra? Paciência), referente ao trabalho de “Dani” (forma na qual o atacante supracitado se refere ao comandante).


A razão é que nós já vimos esse filme antes, algumas vezes, diga-se de passagem. Temos bom elenco, contratações comemoradas, temos os melhores jogadores, as melhores piadas, os melhores posts no Instagram, as camisas mais descoladas e multicoloridas em linha reta da América Latina, o maior número de sócios... só não temos um técnico que nos dê confiança de que o time vai realmente jogar tudo que sabe e que nos dê os títulos que estamos acostumados a ganhar.


A corneta não é para destruir a imagem de Daniel Paulista (ou Dani), que é um ídolo como jogador e pode ainda vir a ser um grande treinador com o tempo e preparo, talvez precise dar um passo atrás agora para vir realmente no momento certo. Não se trata de uma torcida contra o time, mas sim a angústia de toda uma torcida que certamente não irá tolerar o discurso de que a prioridade é a “próxima competição”.


Todos os torcedores concordam que Pernambucano e Nordestão não são prioridades, e sim obrigação. Gostamos de ter o "Sul Maravilha" como rivais, mas, se queremos mesmo bater de frente com os Palmerinthians da vida, é preciso fazer o dever de casa.


Mas parece que o time ainda não se deu conta que o ano letivo começou faz tempo.