Negociação de Vitolo escancara disputa política no Sevilla

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Meia da seleção espanhola deu adeus nessa semana


Victor Machin Perez, popular Vitolo, foi um jogador adquirido pelo Sevilla junto ao Las Palmas, temporadas atrás, por um valor inexpressivo. Hoje, titular da seleção espanhola e multicampeão, deixa o clube rumo ao Atlético Madrid, em uma negociação confusa e repleta de elementos estranhos.


O jogador canário acabou protagonizando uma novela cansativa e de poucas luzes, por assim dizer, entre todos os envolvidos. O primeiro ponto a se comentar: Vitolo vale tudo isso?


O meia é um jogador com duas grandes virtudes: uma arrancada sensacional, capaz de criar grandes contra-ataques, com habilidade e boa visão de jogo; e uma capacidade de trabalho muito grande, sendo um jogador muito esforçado e importante taticamente.


Fora isso, Vitolo é um meia com poucos gol, inegavelmente. Capaz de oferecer boas assistências, mas com poucos gol.


Então, por aproximadamente 40 milhões de euros, que foi o valor de sua negociação (embora o Sevilla vá receber um pouco menos), na idade dele, não parece ser o pior negócio do mundo.


Respondida esta pergunta, hora de ir para a próxima: o que essa negociação pode trazer como consequências?


Aí é que está o ponto mais perigoso dessa história. 


Precipitado, Pepe Castro, presidente do Sevilla, anunciou a renovação de Vitolo, para todos os meios de imprensa, antecipadamente. Tinha, segundo ele, um acordo com o pai do jogador e o seu agente. Acordo assinado.


Mas não tinha a assinatura de Vitolo. Essa assinatura pendente que acabou fazendo com que o canário viajasse a Madrid, horas depois de chegar a Sevilla, para assinar com o Atlético.


O fato acabou gerando um vexame para o Sevilla, deixando em evidência Pepe Castro. Deste momento de fragilidade, o vice-presidente do clube Del Nido Carrasco, decidiu demitir de seu cargo. A instabilidade política nasce aí.


Del Nido Carrasco é filho de José Maria Del Nido, ex-presidente do Sevilla e que até pouco tempo estava cumprindo pena em Sevilla I, prisão regional espanhola, por delitos de ordem administrativa. 


Dentro deste cenário confuso, o Sevilla inicia a sua pré-temporada imerso em uma crise política, também evidenciada quando da saída de Monchi.


A torcida é para que estes acontecimentos não influenciem a formação da equipe. O peso do caso Vitolo é muito mais político do que esportivo. É hora de o Sevilla mostrar mais uma vez se é um clube estruturado.