Brasileirão de pontos corridos tem que acabar para a Seleção voltar a ganhar

Essa semana começa o Brasileirão e é uma excelente oportunidade pro Tite observar jogadores que podem ser decisivos pra Seleção. Só que não.


E o motivo todo mundo já conhece: os pontos corridos sobem e o mata-mata desce. Não é coincidência que o último título em Copas veio justamente no último ano com playoffs na nossa competição nacional: 2002. A morosa competição de 38 rodadas tem criado uma geração de jogadores sem poder de decisão, focados em planejamento e sem sangue nos olhos.


Getty Images
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Mata. Mata.


Argumentos incontestáveis


Os pontos corridos criam grupos de ciclistas, que se revezam puxando o grupo durante as rodadas. Ninguém tem que chamar a responsabilidade sozinho nos momentos decisivos. O Palmeiras do ano passado é um bom exemplo. Mesmo com o craque Gabriel Jesus, vários jogadores se alternaram como destaque. Não tem nenhum velocista, que resolve um campeonato em frações de segundo. E, francamente, com quem você prefere tomar uma cerveja: com o Usain Bolt ou com quem quer que seja o líder do Tour de France?


E tem mais: o mata-mata desenvolve a inteligência dos jogadores. O modelo de pontos corridos não exige raciocínio, é ganhar e somar 3 pontos. O mata-mata, principalmente as surreais fórmulas adotadas antigamente em nosso campeonato nacional, exige um pensamento constante. Devemos perder pra pegar um time mais fraco nas oitavas? Vale cair na repescagem? Posso me poupar agora que estou classificado? Tudo é um grande xadrez mental.


Sem contar o argumento definitivo: a Copa do Mundo é mata-mata. Embora estejamos longes dos regulamentos malucos de décadas passadas (estou de olho em você, 78), o certame ainda premia o time que entende o regulamento e mostra poder de decisão nas fases finais.


A solução


A solução para isso está na mudança imediata da fórmula. Vamos aproveitar que Tite e outros figurões estão reunidos em um evento da CBF e enviar uma nova fórmula. Formatado pelo craque Luis Paredes, o Formato Piramidal é a revolução que precisamos para trazer de volta o caneco. Enjoy.


Luís Paredes
Luís Paredes

Que fase!


Participam os 66 clubes mais bem ranqueados, separados em 11 grupos de 6 times. Os 11 melhores clubes do ranking da Placar serão cabeças de chave. Os outros 5 são distribuídos aleatoriamente nos grupos. Todos os times se enfrentam dentro dos grupos, totalizando 5 rodadas. Ao final das 5 rodadas, as 45 melhores campanhas se classificam para a fase piramidal. Os outros 21 piores colocados vão para a fase de heptagonais de repescagem.


Fase piramidal:


A fase piramidal consiste no já consagrado modelo de ranking de pirâmide. No topo, posição 1, a melhor campanha da fase de grupos. Na segunda linha, o 2 e o 3. Na terceira linha, o 4, 5 e 6. Na quarta linha, 7, 8, 9 e 10 e assim sucessivamente até completar as 9 linhas. Duas vezes por semana, um clube desafia outro de sua linha ou da linha de cima. Se o time de menor posição na pirâmide vencer, sobe de posição assumindo o lugar do derrotado, o qual cai uma posição e, consequentemente, os outros adjacentes caem até algum chegar na antiga vaga do vencedor do desafio. São disputadas 30 rodadas. No final de cada rodada, cada time ganha a pontuação inversa da sua posição. Ex.: O primeiro ganha 45 pontos e o 45º ganha 1 ponto. Ao final das 30 rodadas, os 13 clubes de maior pontuação vão para a fase mata-mata.


Fase de repescagem (heptagonais):


Os 21 clubes são divididos em 3 heptagonais, sendo os 3 melhores os cabeças de chave. Os outros 18 são alocados aleatoriamente. São jogadas 6 rodadas, todos contra todos, só de ida, com mando de campo sorteado. Os vencedores de cada heptagonal classificam-se para o mata-mata, completando os 16 clubes.


Mata-mata:


Os 16 clubes enfrentam-se em mata-mata de 3 jogos, sendo um jogo na casa de cada um, definido por sorteio, e o terceiro jogo em um estádio neutro usado na Copa do Mundo, em um estado neutro que não seja de nenhum dos dois times.


Os times enfrentam-se até a final, que será realizada no Maracanã, onde haverá uma rodada dupla com disputa de 3º lugar e a grande final. Os 4 primeiros classificam-se para a Libertadores.

Rebaixamento: os 3 piores times do heptagonal de repescagem, mais o último time da fase piramidal, formam um torneio da morte quadrangular, no qual apenas o campeão salva-se da degola. Os outros 3 clubes rebaixam diretamente à série D.


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