Aposentadoria ou retorno: Kaká pouco pode oferecer hoje ao São Paulo

Durante a tarde desta quarta-feira, Kaká fez um pronunciamento. O meia anunciou que não vai renovar seu contrato com o Orlando City, que se encerra no fim da atual temporada da MLS. Como sua equipe não tem mais chances de chegar aos playoffs, o brasileiro tem apenas mais dois jogos da temporada regular para fazer. Ele ainda completou dizendo que essa foi sua única decisão tomada até o momento, o que abre espaço para pensarmos em aposentadoria ou até mesmo na volta ao São Paulo para encerrar seu ciclo como jogador.

Com 35 anos, Kaká já passou pelo Tricolor há pouco tempo. Foi parte do elenco do clube na segunda metade de 2014, por empréstimo, até ir em definitivo para o futebol dos Estados Unidos. Lá, fez três temporadas, sendo que as duas primeiras foram muito boas. A atual, de 2017, foi a pior do jogador que perdeu parte dos jogos por conta de uma lesão. Neste ano, por exemplo, Kaká atuou muito menos minutos do que em anos anteriores. Além disso, foi titular em apenas 17 ocasiões.

E não é só isso. Seu poder de decisão, como líder do elenco, ainda é forte, mas diminuiu consideravelmente. Kaká, assim como Pirlo, chegou para fazer a MLS ser alavancada em novos centros, com equipes estreantes. Nisso, ele foi muito bem. Experiente e já melhor do mundo, conquistou novos torcedores, lotou estádios e ajudou a criar uma ótima base de fãs em Orlando, se aproveitando que a cidade não possui tanta força em outros esportes. Como marketing perfeito, um case de sucesso que acabou forçando o Orlando City a gastar uma boa grana, já que o brasileiro tem o maior salário da liga.

Conforme os anos passaram, o poder de Kaká em campo diminui. Tendo que buscar jogo e armar as jogadas de sua equipe, a força física diminuiu, os minutos em campo minguaram e seu bom futebol foi se esfarelando. Lógico que aqui no Brasil ele pode voltar ser um bom jogador, principalmente no São Paulo, seu clube de coração, mas já em 2014 ele não dava sinais de que aguentava o tranco.

Em conversas com amigos, já fui muito criticado, mas mantenho minha posição. Em 2014, Kaká serviu mais como um líder do que como uma referência em campo. Pode até ter começado bem sua passagem, fazendo alguns gols e dando passes importantes, mas, no geral, ficou bem abaixado do esperado, principalmente quando a fase final do campeonato chegou a briga contra o Cruzeiro ficou mais intensa. Sua passagem engana bem porque acabamos lembrando do vice-campeonato do Brasileirão, nossa última grande campanha em pontos corridos e a última grande alegria tricolor ao lado da Libertadores do ano passado.


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Kaká voltou ao São Paulo em 2014: um bom líder, não um grande jogador


Para o retorno de Kaká, ainda há o peso financeiro. O jogador, por mais que ame o clube, não chega para receber um salário qualquer, convenhamos. O São Paulo, que ainda está se adequando às novas contas, não pode se dar ao luxo de gastar mais do que possui apenas para satisfazer sua torcida, mesmo que tenha repetido esse erro algumas muitas vezes nas últimas temporadas e depois precisou desmantelar o elenco para recuperar o ritmo normal das finanças.

Na primeira ou na segunda divisão, o São Paulo de 2018 vai precisar de peças novas, principalmente que entendam a necessidade de reação do clube. Kaká, por mais que possa ajudar com essa liderança, não vai ajudar a renovar o elenco e ainda será uma peça muito cara. Precisamos pensar a longo prazo, fazer um projeto que crie um elenco vencedor, como foi em 2004, por exemplo, quando o time campeão mundial foi feito sem gastos exorbitantes. Se vier como auxiliar técnico ou para ser parte da diretoria, Kaká será muito bem-vindo. Mas em campo é outra história.