Destaque na seleção peruana, Cueva intriga o são-paulino

Por que Cueva joga melhor na seleção peruana do que no São Paulo?

Não sei. Ninguém sabe dizer.

Acredito que todo são-paulino tenha pensado no questionamento acima após prestar atenção nos dois jogos do Peru, contra Bolívia e Equador, vencidos de forma incontestável e com Cueva fazendo duas boas apresentações, algo que não acontece há um certo tempo com a camisa do São Paulo, irritando grande partida da torcida.

No São Paulo, Cueva joga praticamente como um ponta, marcando os avanços dos laterais rivais e caindo quase sempre pela esquerda no ataque para ser um apoio aos centroavantes do clube. Mas essa função claramente não tem funcionado bem nos últimos jogos, deixando o meia muito preso na marcação e tendo que focar em acompanhar os adversários. Em sua seleção, Cueva fica mais centralizado para buscar o jogo e realmente armar o time.

A mudança foi nítida para quem acompanhou os jogos da seleção peruana. Cueva esteve presente em todos os cantos do campo contra Bolívia e Equador, criando ou acompanhando jogadas, inclusive entrando na área em muitos momentos. A sintonia com os companheiros que raramente se vê, como Guerrero ou Carrillo, também foi notada, mostrando que o esquema montado pelo treinador Gareca parece ser mais adequado a ele.


Mario Davila/Agif/Gazeta Press
Mario Davila/Agif/Gazeta Press

Cueva treinando com a seleção peruana para as Eliminatórias


A torcida tricolor reclama muito de displicência do peruano em muitos momentos, como quando entregou um gol para o Atlético-GO ou quando quis dar um passe de calcanhar perto da área contra o Palmeiras, que quase resultou em gol. Essas falhas não se repetiram no Peru, onde o jogador pareceu mais concentrado e disposto, correndo como não faz no São Paulo há muito tempo e arriscando perigosos chutes de longe, inclusive marcando um golaço contra a Bolívia. Acredito que o orgulho de representar seu país tenha pesado na situação, pois esse é um sentimento que conta mais nos demais países sul-americanos, mas nem tanto no Brasil, onde apenas se pensa na transferência para a Europa.

A verdade é que Cueva se mostrou um jogador completamente diferente, seja pela iniciativa em campo ou pela mudança de posição. Foi um jogador completamente diferente, aquele que sempre sonhamos em ver no São Paulo, mas que sumiu nos últimos meses, a ponto de pedirmos sua ida para o banco de reservas. Bom jogador ele é, com certeza, resta saber o que faz com que jogue menos aqui do que lá. Pressão? Insatisfação com algo? Ninguém sabe o que se passa na cabeça dele, infelizmente.

Em março, Cueva se machucou atuando pela seleção peruana. Desde então, nunca mais foi o mesmo no São Paulo. A esperança é que, depois dessas boas atuações, ele volte renovado para o Brasil. A seleção que o destruiu pode ser a mesma que o recuperou. Essa é nossa torcida, nossa fé em meio ao desespero.