Com a corda no pescoço, Dorival tem a obrigação de pensar em mudanças táticas

Texto gentilmente escrito por GABRIEL CARVALHO, a pedido do blog Terror do Morumbi

A vida do são-paulino em 2017 não está fácil. Mais um jogo, mais uma derrota – desta vez para o rival Palmeiras, que fora batido no primeiro turno. O time cometeu erros significativos em momentos fundamentais da partida – não dá para defender Marcos Guilherme, apesar do belo gol no início, pela bola perdida no três contra dois que acabou resultando no terceiro gol palmeirense. Sem falar nas falhas de marcação nos quatro gols do adversário.

O que se repete no time, além das derrotas, é a total ausência de criação no meio de campo. Não há quem distribua o jogo, quem faça o time jogar. O São Paulo de hoje vive da boa fase de Hernanes, que vem mostrando uma veia goleadora impressionante, de contra-ataques e chuveirinhos. Lucas Pratto (que susto, aliás!) se esforça, mas, em grande parte do tempo, as bolas, chegam ‘quadradas’ até ele.

Falta de criação e uma defesa cada vez mais frágil formam a combinação que tem levado o São Paulo a engatar fracasso atrás de fracasso - em uma rota que, infelizmente, pode colocar o time na segunda divisão do Campeonato Brasileiro.


Gazeta Press
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O desespero de Hernanes é real, pois ele é o único que se salva nesse time


É evidente que Dorival precisa pensar em mudanças. Um que precisa sair do time é Cueva. O peruano teve um início de temporada apático, que nem de longe lembrava o jogador fundamental de 2016. Há algumas partidas, Cueva deu a impressão de que retomaria o bom momento, o que acabou não acontecendo. Neste domingo, o jogador foi um dos piores em campo e acabou substituído por Lucas Fernandes aos 12 minutos do segundo tempo.

Não cabe a nós, observando de fora, especular sobre o que leva Cueva a atuar mal no momento. Fato é que o peruano não tem feito por merecer a posição de titular. O treinador pode aproveitar o momento e, ao sacar Cueva, promover mudanças táticas no time. O esquema com dois jogadores abertos não tem se mostrado eficiente, então por que não tentar povoar mais o meio de campo com um jogador que ajude na organização de jogadas?

Jonathan Gómez ou Lucas Fernandes pode entrar nessa posição e auxiliar Hernanes na criação de jogadas. O argentino, quando entrou contra o Coritiba – salvo engano, jogando pela primeira vez na posição que é a dele –, foi bem, fez a bola rodar e se apresentou constantemente para receber a bola e iniciar as ações ofensivas.

Já se foram dez jogos com Dorival e o time não tem funcionado com o esquema atual. Está mais do que na hora de mudar: a Série B se aproxima e o risco de queda é grande. Não adianta mais tapar o sol com a peneira.