Entre sustos e alegrias, o São Paulo enlouquece seus torcedores

Quando Cueva abriu o placar naquele gol estranho, contando com a ajuda da defesa botafoguense, o dia não parecia normal. O São Paulo, então, decidiu nos colocar na realidade com dois gols sofridos em poucos minutos, pênalti perdido e o placar de 3 a 1. O pesadelo estava nos assombrando novamente, mas dessa vez, como em um passe de mágica, tudo mudou. Quem olhar o placar final e notar o 4 a 3 para o Tricolor vai saber que foi um jogão, claro, mas passa longe de imaginar o sofrimento que tivemos durante os noventa minutos.

Porque alguns aí adoram bater no peito para dizer que possuem o clube mais sofredor. Coitados deles, não sabem o que é torcer para o São Paulo nos últimos anos. Em 2017, por exemplo, fomos alcançar nossa primeira e verdadeira insanidade apenas no dia 29 de julho, com o time dentro da zona de rebaixamento e precisando vencer o Botafogo de virada, por 4 a 3, fora de casa.

Não é fácil, não será até o fim. A diferença é que o São Paulo parece ter aprendido a sofrer, assim como os torcedores que lotam arquibancadas e ligam televisores para acompanhar o time. Foi complicado empatar com o Atlético-GO ou com o Grêmio, com o time brigando e vacilando, precisando devolver o apoio dado pela torcida que lotava o Morumbi. Contra o Vasco, também foi no sufoco, com Renan Ribeiro aparecendo nos minutos finais. Hoje, não foi diferente.

E com todas essas maluquices que o São Paulo nos oferece, nosso coração parece cada vez mais cansado, entre os jovens ou os mais velhos. Ele bate mais rápido, parece que vai sair pela boca, pulsa tão forte que parece ter vontade de rasgar nossa pele. E aí, no momento em que ninguém mais espera, a alegria surge como se fosse uma miragem, uma luz no fim do túnel.

Não adianta chamar de corneta ou pessimista, ninguém esperava algo bom depois que o time perdeu pênalti e levou o terceiro gol. Não é possível ser tão otimista a ponto de achar que a virada sairia, ainda mais nos momentos finais. A diferença é que a estrela de Marcos Guilherme brilhou tanto quanto os sorrisos da torcida tricolor e a profecia de Hernanes se cumpriu.
 
Hoje, todo são-paulino é otimista, convicto de o caminho será longo e tortuoso, mas há uma ponta de esperança na estrela tricolor que continua a brilhar porque o time mostrou a que veio, o que pode fazer e como não vai mais tolerar ser chacota dos adversários. A única adversidade que terminou na tarde deste sábado foi a partida contra o Botafogo. Muitas ainda virão, pois demos o primeiro passo apenas. E no fim, este será o momento que todos vão lembrar.

Hernanes estreou e não decepcionou. Marcos Guilherme, idem. Cueva, apesar do pênalti perdido, foi um monstro. Os tropeços ainda continuam, só isso que falta melhorar.

Obrigado, São Paulo, mas tente não nos matar mais do coração!

P.S.: jogadores correndo muito aos 47 do segundo tempo e ganhando o jogo é fruto da vontade ou da mudança de preparador? Fica a questão.


Reginaldo Pimenta/Raw Image/Gazeta Press
Reginaldo Pimenta/Raw Image/Gazeta Press

Obrigado a todos, foi incrível!