Despreparado e perdido, Rogério Ceni não consegue melhorar o São Paulo

Amador. Imaturo. Despreparado. Você pode escolher as palavras para descrever Rogério Ceni como treinador do São Paulo, principalmente porque opções não faltam e motivos para cornetar o atual comandante do time também não. Contra o Atlético-MG, mais uma atuação de doer os olhos de uma equipe claramente perdida dentro das quatro linhas.


Como já é comum no São Paulo desde aquela vitória contra o Palmeiras, o time não sabe o que fazer com a bola, é lento, fica preso no adversário com extrema facilidade e cria raras chances de gol. Isso é ruim, claro, mas piora quando a zaga não colabora – e isso tem sido um problema mais do que recorrente.


O problema envolvendo Rogério Ceni é que desde o início todos os são-paulinos acreditaram cegamente nele e agora não conseguem se livrar desse pesadelo de forma tranquila, sem uma ruptura de proporções catastróficas. Primeiro, a torcida. Os torcedores fizeram Rogério acreditar que ele era técnico apenas porque fez alguns cursos no exterior e tirou uma foto engraçadinha no metrô inglês. A questão é que ele também pensa assim agora e, arrogante como é, não vai dar o braço a torcer.


Depois, a diretoria. Ela deu a Rogério Ceni poderes para montar a comissão técnica e o elenco, escolher quem ficaria e sairia do clube. Assim, ele optou pela manutenção de Luiz Araújo e não fez muito esforço para segurar o promissor David Neres, que hoje nos seria muito útil. Depois, fez escolhas bem duvidosas, como a indicação do preguiçoso Cícero ou a contratação de Thomaz, destaque do poderoso Jorge Wilstermann, da Bolívia, sempre preterindo jovens da base que pediam passagem.


Rogério Ceni sempre quis uma equipe ofensiva. Então, sofreu com a defesa. Aí perdeu sua filosofia e desaprendeu a armar o time. Peças que claramente não funcionam mais, continuam desfilando em campo o seu pouco futebol. Cícero é de uma displicência irritante. Lucão, escolha constante de Rogério para jogar, continua falhando jogo após jogo e ganhando afagos do comandante.


A ideia de três zagueiros é assustadora. OK, deu certo contra o Palmeiras, um time que possui sempre a bola e dá espaços no contragolpe, mas não é sempre que vai funcionar. Mesmo assim, o ex-goleiro continua escalando o time assim em todos os jogos e, ao ver que errou, muda na segunda etapa. Isso quando não coloca esse esquema lamentável diante de times mais fracos, como Sport e Vitória, claramente minando qualquer chance de conquistar a vitória.


Gazeta Press
Gazeta Press

Sim, Rogério, a saída é logo ali


Vale lembrar, no entanto, que o São Paulo já foi eliminado do Paulista, da Sul-Americana e da Copa do Brasil. Tempo para treinar, depois disso, não faltou, mas os jogos no Brasileirão continuam catastróficos. O time não melhorou, não parece mais entrosado e as mesmas peças frágeis continuam atuando normalmente. Como enaltecer minimamente esse trabalho que está focando no Brasileirão nos últimos 60 dias e continua fraco?


Para piorar, episódios como os da semifinal do Paulista, quando acertou uma prancheta em um atleta e quando colocou Rodrigo Caio em uma situação desconfortável pelo fair play, mostram que o treinador ainda está perdido. O problema é que, se não for no São Paulo, ele dificilmente terá alguma outra oportunidade relevante no futebol nacional. Começar na base seria melhor, talvez em uma equipe menor, e então chegar preparado por aqui.


O ridículo futebol apresentado pelo São Paulo dentro de campo é reflexo de um Rogério Ceni perdido no cargo de treinador. Resta saber por quanto tempo a diretoria ainda vai passar a mão em sua cabeça. Ser ídolo pelo que fez como goleiro não pode direcionar as escolhas do clube agora, quando ele é técnico. Poderes, então, não podem ser aumentados. O Tricolor está cada dia pior e só nos resta rezar.