Entre dívidas e vendas, o São Paulo rasga seu planejamento

Na manhã dessa sexta-feira, o São Paulo confirmou a venda de Luiz Araújo e Thiago Mendes para o Lille, da França. A equipe, vale ressaltar, foi a 11ª colocada em seu campeonato nacional na última temporada, mas veio até o Morumbi e nos arrancou dois titulares com extrema facilidade.

Resta agora para Rogério Ceni a dificuldade de remontar o elenco, sendo que a janela de transferências para a Europa mal começou e ainda pode arrancar mais peças de um time já com poucas opções. Não vai ser fácil para o treinador, claro, principalmente quando a diretoria não ajuda e o sabota com o ridículo planejamento de seis em seis meses.

No meio da temporada, o time perde dois titulares, e agora? O clube, com certeza desesperado para dar explicações, vai tentar contratações caras para agradar a torcida, mesmo que isso acabe aumentando os graves problemas financeiros enfrentados pelo São Paulo.


Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press

Quem aí vai ser vendido e está rindo?


Calma, eu disse problemas financeiros?

Pois é, porque o São Paulo vendeu David Neres no início do ano exatamente para acabar com esses rombos. Na época, os dirigentes tricolores afirmavam que o valor pago pelo Ajax seria suficiente para manter o clube sem vender mais atletas durante a temporada, que serviria para pagar dívidas e até mesmo contratar reforços.

Quando Lucas Pratto chegou, algumas semanas depois, o discurso do presidente Leco se repetiu. Ele fez questão de enfatizar que o dinheiro usado na compra do atacante argentino era da venda de David Neres e que, portanto, o clube não estaria gastando dinheiro inexistente. Mas as dívidas continuam lá e o São Paulo novamente precisa vender jogadores titulares, importantes para o elenco, para reforçar o caixa.

Lyanco, jovem promissor, também foi vendido nos primeiros jogos da temporada sem ter vestido a camisa tricolor por mais de duas ou três vezes durante todo o ano. Um completo absurdo sempre disfarçado de ato para um bem melhor que nunca chegou e nem deve chegar tão cedo.

Que péssimo planejamento é esse que obriga o clube a vender importantes atletas em poucos meses, mas não acaba de fato com a crise financeira? Vale lembrar que o SPFC também arrumou patrocínios nesse período, então teve mais dinheiro entrando nos caixas, deixando a situação ainda mais inexplicável.

E assim segue o São Paulo, perdendo jogadores, gastando para recompor elenco e com dívidas. O mínimo que o torcedor do São Paulo espera agora é que ao menos Júnior Tavares, mas, depois de hoje, até isso parece improvável.