Rogério Ceni não precisa 'encantar serpentes', apenas voltar a ganhar

Na última quinta-feira, Lugano foi selecionado para a entrevista coletiva. Por sua experiência, liderança no elenco e, claro, amizade com Rogério, as suas palavras eram muito aguardadas nesta semana turbulenta. Entre tantas coisas ditas, o zagueiro afirmou ter conversado com o treinador e dito que lhe falta saber ‘encantar serpentes’ e ter melhor relacionamento com a imprensa. A mesma expressão usada pelo uruguaio em entrevista à ESPN, no "Bola da Vez", ao falar sobre Tite, técnico da seleção brasileira.

A questão é que Rogério Ceni não precisa ter bom relacionamento com a imprensa. Desde que não os ofenda e os persiga gratuitamente, não é necessário ser carinhoso e tratar todos como filho, assim como Tite faz. Isso soaria forçado, principalmente da parte dele, saindo da sua característica de ser um pouco mais fechado.

O próprio Rogério Ceni não era o mais empolgado com entrevistas na sua época de jogador. Raras eram suas aparições para coletivas no CT da Barra Funda. E quando aconteciam, poucas vezes os jornalistas conseguiram tirar algo bom. E esse fato não o tornava menor em campo, muito pelo contrário. Agora, como treinador, isso não vai e nem tem motivo para mudança.

Se quiser fugir de entrevistas, é uma escolha de Rogério Ceni e os profissionais precisarão aceitar isso. O que ele não pode fazer é dar a cara à tapa e acabar sendo grosseiro com jornalistas, como Muricy fazia.



Muricy Ramalho é um grande exemplo. Não foram poucas as vezes em que vimos o treinador destratar jornalistas e dar respostas ásperas. Em campo, porém, montou um time tricampeão nacional e ganhou respeito de toda a imprensa como um treinador de ponta no futebol brasileiro. Ou seja, nem sempre bom relacionamento com jornalistas vai lhe dar conforto no trabalho.

O que Rogério Ceni precisa fazer é mudar seu estilo como técnico. Se aprimorar em novos estilos de jogo, ter o grupo na mão e voltar a fazer o São Paulo vencedor. O bom tratamento com a imprensa é algo que pode ou não surgir no meio desse caminho, mas não é prioridade para sua carreira como treinador.

Entre encantar serpentes, encantar jogadores e encantar torcedores, os dois últimos são fundamentais. Isso deveria ser o foco de Rogério no momento.