Por que os rejeitados pelo São Paulo se destacam em outros clubes?

Gazeta Press
Gazeta Press

No Sport, Rogério vem se apresentando bem e foi contratado pelo rubro-negro


Não é novidade que um jogador sai do São Paulo Futebol Clube pela porta dos fundos e acaba se destacando muito em outra equipe. Isso acontece há anos, não é mais nenhuma novidade. Nestas últimas temporadas, porém, o número tem aumentado consideravelmente, formando um quinteto de ex-tricolores que brilham com outras camisas, enquanto temos que aguentar Neilton e Wellington Nem em nosso elenco.

Centurión foi muito utilizado em seus primeiros anos de clube, talvez para tentar fazer valer o alto investimento. Não deu certo, a paixão da torcida por ele logo acabou, mesmo que Bauza insistisse em utilizá-lo, principalmente por sua disciplina tática na hora de ajudar a marcar. Pouco para a torcida manter um carinho. Foi para o Boca Juniors e hoje é um dos melhores jogadores do Campeonato Argentino e sua equipe lidera o torneio. Desmerecer o campeonato vizinho seria ridículo de nossa parte, principalmente porque recentemente eles possuem melhores desempenhos na Libertadores, por exemplo, do que nós brasileiros.

Talvez o exemplo mais sintomático seja Reinaldo. Lateral que fazia o feijão com arroz, muitas vezes de forma preguiçosa, nunca foi craque. O problema é que isso não bastava para a torcida que logo o perseguiu. No ano passado, foi para a Ponte Preta e ajudou o time do interior a fazer uma campanha muito digna no Brasileirão. Agora está na Chapecoense e é um dos pilares da reconstrução do time, depois de ter sido devolvido para o São Paulo, que nem sequer pensou em utilizá-lo e agora depende de Buffarini improvisado na esquerda em muitos momentos.

Hudson nunca foi amado. Básico como volante, sempre foi alvo da torcida. No início do ano, foi trocado pelo fraco Neilton. Enquanto lá no Cruzeiro ele é titular e marca gol contra a gente na Copa do Brasil, o atacante vindo do time mineiro é pouco aproveitado e mostra não ter habilidade nenhuma quando entra em campo. Uma baita negócio furado, mas que muitos elogiaram na época.


Getty Images e Gazeta Press
Getty Images e Gazeta Press

Perseguidos pela torcida tricolor, destaques nos rivais


Por fim, Rogério e Michel Bastos, ambos importantes em 2015, mas que pouco fizeram pelo clube na última temporada. Pontas de velocidade e habilidade, pareciam displicentes quando entravam em campo e nos faziam passar um ódio danado. Agora, vestindo, respectivamente, as camisas de Sport e Palmeiras, fazem atuações consistentes e são titulares na maioria das vezes. No caso de Rogério, especificamente, continuo achando que o clube paulista não o tratou bem, principalmente porque Bauza insistia em escalá-lo fora de posição.

Esses cinco jogadores, atualmente, vestem camisas diferentes. Não estão mais no São Paulo e fazem boas apresentações. Alguns brilham mais do que outros, é verdade, mas todos estão em situação muito melhor do que viviam no Tricolor. E não há nem a desculpa de que jogam por times menores, de baixa pressão, pois todos estão na primeira divisão e em clubes de renome. A ideia de que voltar para a terra natal ou proximidade dos familiares muda um atleta não me convence também.

Será que é hora do São Paulo tratar melhor seus jogadores? As recentes crises políticas e trocas constantes de treinadores atrapalharam o andamento das carreiras deles aqui? E quem será o próximo jogador odiado pela torcida que vai sair e jogar bem em outro lugar. Perguntas que não se calam e incomodam muito enquanto o tempo passa lentamente no Morumbi.


Rubens Chiri / São Paulo FC
Rubens Chiri / São Paulo FC

Com a camisa da Ponte Preta, Reinaldo chegou a marcar um gol contra o São Paulo