É possível falar em 'Cuevadependência' no São Paulo?

Depois de algumas horas pensando e digerindo a derrota no clássico, a vida vai voltando ao normal. Não foi o fim do mundo, com certeza, então é possível tirar coisas boas do tropeço. Em começo de trabalho, coisas ruins acontecem e a derrota para o Palmeiras nos apresentou a ingrata realidade para que possamos voltar aos eixos. De tudo que aconteceu, porém, fica a questão: como seria o São Paulo em campo se Cueva tivesse jogado?

Essa pergunta levanta outro debate: se o São Paulo é ou não dependente do jogador peruano. Sem o meia, Rogério Ceni foi obrigado a mudar o estilo de jogo, mas talvez não como tivesse imaginado. O treinador colocou Jucilei em campo e adiantou Thiago Mendes, um dos homens de contenção, para a ponta direita. Logo, a equipe entrou em campo com quatro volantes de ofício e ninguém que pudesse fazer a armação das jogadas.

Com Jucilei ainda fora de forma e sem ritmo de jogo, a marcação ficou pesada para o rápido ataque rival. Cícero e Thiago Mendes ficaram presos na marcação e não vinham buscar jogo, comprometendo assim a saída de bola do time. Com essa situação ingrata, os zagueiros se viam forçando passes, como no primeiro gol, ou dando chutões desnecessários para o ataque.

O placar mostra a superioridade rival (com ajuda do nosso “goleiro”). Foi também a primeira vez que o São Paulo não marcou gol desde a Florida Cup, curiosamente quando Cueva também não jogou, pois estava com problemas de saúde. Sendo assim, a questão da dependência do jogador peruano aumenta. No próximo clássico, contra o Corinthians, ele estará com a seleção de seu país e novamente vai nos desfalcar, então, não podemos nos dar ao luxo de tomar outro sufoco em uma apresentação abaixo da média.


Gazeta Press
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Uma imagem que ainda queremos ver por muito tempo no Morumbi


A falta de produção ofensiva do São Paulo no clássico, mesmo com a escalação errada de Rogério Ceni, preocupa muito. Cueva é uma peça importante e, mesmo com a renovação, deve receber propostas da Europa em breve. Sendo assim, nos resta preparar a equipe para suas constantes ausências na seleção. Lucas Fernandes ainda está voltando de lesão, mas pode ser uma boa opção em breve. Shaylon é novo, tem grande potencial para ser o destaque, até mesmo jogando ao lado de Cueva, mas é cru, precisa se acostumar com os jogos do profissional.

Sem confiança ainda nos dois jovens, Rogério Ceni já procura opções fora do clube. “Nós precisamos, para um Campeonato Brasileiro, porque para agora já não é mais possível, de um camisa 10 com característica parecidas com as do Cueva. Nós temos o Lucas Fernandes, mas ele não gosta de jogar de 10, ele gosta de ser o 8. Temos o Shaylon, mas são dois meninos de 19 anos de idade”, disse o treinador.

Uma nova busca se inicia no Morumbi. Ela é bem complicada, pois Cueva foi um achado no Toluca e deu muito certo em nosso futebol. No mercado atual, os bons meias são caros e já estão em times grandes, achar uma joia ou alguém com potencial é complicado e, convenhamos, isso já temos em Cotia, inclusive já aproveitados no elenco principal do clube. Gastar com alguém no exterior talvez não esteja nos planos da diretoria.

E assim vamos seguindo na dependência de Cueva e de seu ótimo poder ofensivo até quando nos deixarem.