A ascensão e redenção de Luiz Araújo no São Paulo

Quando Luiz Araújo estreou no time profissional, no ano passado, eu disse que o jovem deveria ganhar mais chances. Demorou um pouquinho, mas isso aconteceu. Para o azar dele, naquele mesmo Brasileirão, David Neres surgiu com força, se destacou e lhe tomou a vaga de titular. A sorte de Luiz Araújo, porém, só mudaria nesta temporada.

Depois de começar 2016 se destacando na Libertadores Sub-20 - sendo o artilheiro, inclusive -, Luiz Araújo foi emprestado para o Novorizontino. Na equipe do interior paulista, fez um campeonato mediano. Afobado, corria muito, às vezes mais do que a própria bola, e não tinha objetividade. Sempre bom driblador, pecava na hora das finalizações. Quando o torneio acabou, achei que o São Paulo já o mandaria para outro empréstimo.

Por um milagre, Bauza, o colocou no time de cima, principalmente pelos muitos desfalques. Aqui, porém, é preciso colocar uma informação: na fila de qualidade e prioridade técnica do clube, essa seria a vaga de David Neres, melhor que Araújo e titular da base, um talento incontestável. Na estreia, contra o América-MG, Luiz Araújo fez grande apresentação e nos encheu de esperança.

Com o tempo, Araújo perdeu ritmo e não rendeu tão bem de novo. Voltou a repetir os erros da base, correndo muito e perdendo bolas, além das péssimas finalizações. Normal para um jogador ainda em formação, convenhamos. Nessa queda, perdeu a posição para David Neres, que acabava de voltar de uma grave lesão. E Neres, como era esperado, brilhou. O atacante foi tão bem que acabou vendido para o Ajax por R$ 50 milhões no começo da temporada.

Luiz Araújo também foi sondado por um clube francês. Na minha opinião, deveria ter saído. Tecnicamente, David Neres poderia render mais. Só que Araújo parecia determinado a calar a boca de todos que o cornetaram (menos na Florida Cup, onde foi péssimo). Com a ajuda de Rogério Ceni e muitos gritos na orelha durante as partidas, se aprimorou em diversos fundamentos.

Aproveitando sua velocidade, Luiz Araújo ajuda muito na marcação e é um dos destaques em desarmes do time, algo surpreendente para um meia-atacante. Também canalizou melhor suas arrancadas ofensivamente e tem sido objetivo no campo de ataque, algo que lhe faltava na última temporada. Suas finalizações, então, infinitamente melhores, até por isso voltou a fazer gols com frequência.

Contra o ABC, sua apresentação de luxo. Fez de tudo: dois gols, passes para companheiros, desarmes, apanhou até dar dó e finalizou bem em todo o jogo. Deu orgulho de ver que aquele menino que tanto critiquei aprendeu e está melhorando. Ainda é cedo, porém, para dizer que será um craque, pois estamos no começo da temporada.

A sensação é de que Luiz Araújo se encontrou. A vontade é de pedir para ele se manter assim pelo menos durante todo esse ano, depois pensar em Europa ou qualquer outra coisa. E treine, menino, você ainda pode nos dar muitas alegrias!


Gazeta Press
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Sorria, garoto, e nos encha de alegria também