Sebastianismo Tricolor: os prós e contras da volta de Kaká

Diogo Salles
Diogo Salles


Desde que Juvenal Juvêncio jogou o São Paulo na vala comum do futebol brasileiro, temos convivido com seguidas crises políticas e ameaças de rebaixamento. Em tempos sombrios como esses, a diretoria – e, justiça seja feita, a torcida – têm se valido do resgate de ídolos do passado para tentar restaurar a imagem e também de identidade do clube. É uma questão muito mais passional do que propriamente esportiva, e não há problema em reconhecer isso.


Reconstrução é peça por peça. Não tem segredo. Depois da volta de Muricy em 2013, vários nomes passaram por aqui, com maior ou menor sucesso. Atualmente os tricolores ilustres que têm dado sua contribuição são:


Raí: ao aceitar um cargo no Conselho de Administração, fica em posição difícil para opinar sobre o time, mas sabemos que ele é peça fundamental para que as diretrizes do novo estatuto sejam cumpridas. A tarefa é de altíssima complexidade, uma vez que temos uma estrutura engessada e refratária a qualquer renovação ou profissionalização. De qualquer modo, ficou claro para todo mundo que o eterno camisa 10 nos servirá de termômetro sobre os caminhos da política no clube. Se Raí entregar o cargo em circunstâncias mal explicadas, saberemos que o novo estatuto corre sério risco de não ver a luz do dia.


Lugano: em final de contrato, dificilmente seguirá no clube. Nesses quase dois anos, jogou pouco, mas quando entrou, não comprometeu. E para além do que aconteceu dentro das quatro linhas, cumpriu um papel importante. Nos momentos mais agudos de crise, era ele quem dava a cara a tapa e segurava a pressão que o time sofria. Além de não reivindicar lugar no time (coisa que muitos ídolos se acham no direito), agiu sempre pensando no coletivo e na união do grupo. DIO5 sairá de cabeça erguida e sempre terá nosso respeito.


Hernanes: essa sim, uma contratação que fazia sentido tanto do ponto de vista simbólico, quanto do esportivo. Se não apresenta o mesmo vigor físico de antes, compensa com qualidade técnica. Rapidamente se tornou capitão, referência do time e símbolo da nossa recuperação no Brasileiro, tendo decidido vários jogos na bola parada (preenchendo a lacuna deixada por Rogério Ceni desde que parou de jogar). Ainda tem contrato até junho de 2018 e as velas já estão todas acesas para que o empréstimo seja estendido.


Agora vamos ao dilema: Kaká. Trazer ou não trazer?


Prós:


1) claro que ele não é o mesmo jogador de 2007, mas a passagem dele por aqui em 2014, além de nos render o vice-campeonato daquele ano, dá boas pistas de como ele pode ajudar a dividir as responsabilidades na organização de jogadas junto com Hernanes. Além da liderança e do espírito de grupo, seria mais um trunfo em jogadas e/ou passes decisivos, no caso de Lucas Pratto jejuar ou de Cueva sentir o peso de suas Itaipavas.


2) outro ponto a favor é que ele vai atrair (ainda mais) público ao Morumbi. Além de arrastar multidões ao estádio, craques trazem como bônus boas perspectivas de negócios para o clube, ampliando o escopo para patrocínios, venda de camisas, ações mercadológicas etc. É uma questão menor, sem dúvida, mas não é de se ignorar, ainda mais num clube com a imagem arranhada e sérios problemas financeiros.


Contras:


1) a questão física é o primeiro senão que nos vem à cabeça. Suas lesões na última temporada pelo Orlando City preocupam, mas ninguém se ilude com a ideia de que ele vá jogar sempre. Com um bom planejamento e um bom esquema tático, tem totais condições de participar de boa parte dos jogos.


2) a outra grande questão é o salário. Em 2014 ele já ficou aqui por seis meses ganhando abaixo do que poderia. Dessa vez ele terá de ter expectativas ainda mais modestas, uma vez que ainda lutamos para nos livrar das dívidas. Se entender e aceitar essas condições, será muito bem vindo.


Sabendo colocar todos esses fatores na balança, sem fazer loucuras financeiras e sabendo dosar o número de jogos, sou a favor da volta de Kaká em 2018.


E você, leitor?


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