Negociação por Scarpa mostra como o São Paulo se perde no seu próprio planejamento

Gazeta Press
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PARE E PENSE MUITO BEM NO NEGÓCIO


Em meio a mais problemas e ao caos político que parece nunca ter fim, o São Paulo segue com seu planejamento para a temporada 2018. A maioria dos negócios corre em sigilo, mas, aos poucos, dá pra saber quem quais direções o clube se movimenta.


A bola da vez nos corredores do Morumbi é o meio-campista Gustavo Scarpa, do Fluminense. Líder de assistências do Campeonato Brasileiro, o jogador de 23 anos parece ser o sonho de consumo do Tricolor, que, inclusive, parece estar disposto a fazer 'loucuras'.


Vamos aos fatos. O técnico Abel Braga disse que, como o time carioca não tem dinheiro em caixa, seria ideal fazer trocas para aumentar o elenco. Jogador mais valorizado dos caras, Scarpa seria o nome ideal - e, sabendo disso, o São Paulo entregou uma lista de atletas que poderiam ser usados na negociação.


A lista teria nomes como Bruno, Buffarini, Daniel, João Paulo, Jonathan Gomez, Junior Tavares, Lucas Fernandes, Lucas Kal, Matheus Reis, Pedro Bortoluzzo, Thomaz e Wellington. Diante disso, muitos os boatos surgiram. O último é que a primeira oferta são-paulina seria de R$ 11 milhões e mais os passes em definitivo de Lucas Fernandes, Junior Tavares e Buffarini.


Se for isso mesmo, é loucura.


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Imagina como está boa a cabeça do Lucas Fernandes


Não me entendam mal: não acredito mais em Buffarini, sou cético e acho que Lucas Fernandes não vai ser metade do que pensamos e tenho total e plena consciência que o Junior Tavares não é nada demais. Mas uma proposta dessas só mostra como o São Paulo muda seu planejamento em questão de dias.


Seis meses atrás, a diretoria recusou uma proposta de quase R$ 30 milhões do Ajax por Tavares. Na época, o lateral era um dos destaques da equipe e inclusive teve seu contrato renovado. Depois oscilou muito (o que é perfeitamente entendível para um garoto de VINTE E UM ANOS EM SEU PRIMEIRO ANO COM SEQUÊNCIA NO PROFISSIONAL) e terminou em baixa, a ponto de ser reserva do Edimar (credo). o São Paulo foi avançando em uma negociação em que o emprestaria ao Corinthians por Lucca e com opção de compra de R$ 5 milhões. Só não foi pra frente por causa de sua mãe.


É certo que o time não vê Tavares como grande opção para 2018 -- tanto que contratou Edimar em definitivo e vai ter a volta de Reinaldo com contrato renovado. Talvez Dorival queira usá-lo mais adiantado no meio-campo, como fez em alguns jogos no final da temporada, mas hoje já ficou claro que ele está mais para moeda de troca. 


Enquanto isso, a situação de Lucas Fernandes também é desesperadora. O meia, que era apontado como grande promessa de Cotia e foi o principal nome da fantástica geração 97, perdeu espaço com lesões e, ao voltar e ganhar chances como titular, esteve longe de corresponder. Aí chega o São Paulo e praticamente diz ao jovem de 20 anos que não acredita mais nele. É uma situação complicada.


São dois jovens que, em seis meses, passaram de potenciais craques a jogadores descartáveis. E o planejamento? Pior: se o negócio não andar, como fica a cabeça dos moleques?


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Será que o Tavares preferia ter ido pro Ajax?


Claro que Scarpa é um jogador de nível maior e, mesmo que tenha feito um ano abaixo da média (depois de duas temporadas excelentes), não vai ser barato. Mas o São Paulo precisa definir qual o uso de sua base. Se a proposta realmente for essa (esse trio e R$ 11 milhões), que bom que o Fluminense tenha recusado.


Acho impossível que Buffarini tenha zero de mercado sul-americano e que não consigamos uns R$ 10 milhões em Tavares e Lucas (especialmente se forem emprestados antes para mudar um pouco os ares). E apesar de Scarpa ser um ótimo jogador, temos outras posições esperando contratações (e ai do São Paulo se der uma puta grana no Scarpa e não conseguir pagar a permanência do Hernanes depois).


Talvez seja justo que os R$ 11 milhões venham acompanhados de Buffarini em definitivo e mais os dois jovens por empréstimo (mas, por favor, acertem os valores de opção de compra). Ou um pouco mais de grana, o lateral argentino e um dos descartáveis (Bruno, Daniel, Reis, Bortoluzzo, Thomaz e Wellington podiam ir todos de uma vez sem erro), ou quem sabe um pouco menos de grana com Buffarini e só Lucas. Opção tem.


Creio que o negócio avance, mas, ao menos diante das primeiras especulações, está claro que o São Paulo não consegue manter um planejamento. Com tantas trocas no comando em tão pouco tempo, fica difícil exigir algum tipo de profissionalismo do departamento de futebol tricolor.