A absurda negociação de Júnior Tavares com rival é a cara da diretoria do São Paulo

Gazeta Press
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Guardadas as proporções de habilidade e idade, mas...


Júnior Tavares nunca foi e provavelmente nunca será um craque. É um garoto de 21 anos que em seu primeiro ano como profissional viveu altos e baixos. Pode não dar em nada, mas tem muito potencial para crescer se tiver a cabeça no lugar.


As notícias de que o São Paulo pretende fazer uma troca entre o camisa 22 e Lucca, atacante do Corinthians emprestado à Ponte Preta, são cada vez mais fortes. A ESPN noticiou nesta quarta que o negócio avançou e que os jogadores devem ser emprestados por uma temporada. São, no entanto, muitos os problemas envolvendo essa transferência.


A começar pelo primeiro ponto: além do empréstimo, cada jogador teria passe fixado em opção de compra. Enquanto o Tricolor teria que pagar R$ 3 milhões em qualquer momento do ano para ter o atacante em definitivo, o rival teria que desembolsar R$ 5 milhões pelo lateral. E trata-se de um valor irrisório por vários motivos. 


Júnior se destacou no primeiro semestre deste ano, quando renovamos seu contrato até 2021 e depois recusamos uma quantia de R$ 30 milhões do Ajax. Tudo bem, o resto do ano foi sofrível, mas o São Paulo emprestar o jogador ao rival com opção de compra fixada em apenas 16% do valor recusado seis meses atrás passa do limite do amadorismo. É jogar na cara do garoto de 21 anos que você não acredita mais nele.


Outro ponto é exatamente a idade. Talvez os maiores problemas de Tavares sejam extra-campo, mas ele já mostrou ter potencial. Não precisa ser o Corinthians, mas não deve ser difícil achar um time que possa pegá-lo emprestado e valorizá-lo. Para depois chegar aqui e jogar, ou render uma grana útil. Não o trocado de pinga que estão especulando.


E entra, claro, o fato de ser o Corinthians. Ninguém vai querer ver o rival ganhando, ainda mais com jogador nosso atuando por lá. Estariamos reforçando uma posição que eles estão 'deseperados' após a saída de Arana pra Espanha e ganhando um atleta que nem é aproveitado no elenco deles (que, convenhamos, fez um bom Brasileiro, mas por um time rebaixado e só). Vale a pena?


Entre muitas especulações e até a mãe de Junior dizendo que prefere morrer a vê-lo jogando em Itaquera, é praticamente certo que nossa lateral-esquerda terá Reinaldo e Edimar (credo) para 2018. Júnior então precisaria ser emprestado em outro clube, ou, na pior hipótese, vendido de vez para a Europa, mesmo que por um valor menor que o oferecido pelo Ajax na janela de verão. Ou um ou outro, sem meio termo.


Se concluído, esse tem tudo para ser um dos negócios mais bizarros feitos pelo São Paulo nos últimos bons anos. E tem exatamente a cara dessa diretoria (Leco e Pinotti, dando nome aos bois). Fracassada.