Que a coragem de Dorival ajude a tirar o São Paulo da lama

Gazeta Press
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Grita, Dorival. Grita mesmo, porque vai precisar


Em primeiro lugar, quero ressaltar a coragem do senhor Dorival Silvestre Júnior em aceitar o cargo de treinador do São Paulo Futebol Clube, especialmente após as declarações do senhor Carlos Augusto de Barros e Silva na entrevista coletiva da última terça-feira. Sério, parabéns.


O São Paulo anunciou Dorival Júnior como novo técnico, após a saída de Rogério Ceni. Carta marcada desde a demissão do ídolo, o antigo treinador do Santos aparentemente fechou o negócio de maneira rápida, e nos próximos dias deve desembarcar no CT da Barra Funda com a missão de tentar arrumar uma parte da bagunça.


Dorival era a melhor opção disponível no mercado, e o São Paulo acerta ao ir direto nele e resolver a questão dois dias depois da saída do antigo treinador. O que, é bom dizer desde já, não significa que ele seja o mestre das táticas, um Guardiola/Mourinho/Zidane/Ancelotti - seja lá qual for sua preferência - tupiniquim. É um bom nome, mas é preciso ter calma pra não achar que ele simplesmente vai assumir o lugar e resolver tudo de uma hora pra outra. Não vai, e não iria nem se fosse o melhor treinador do mundo.


Seu maior destaque foi na primeira passagem pelo Santos, quando, com Ganso e Neymar, ganhou a Copa do Brasil. Nessa passagem recente, fez uma ótima recuperação em 2015, salvando o time da baixada do rebaixamento (alô, Z4) e sendo vice-brasileiro em 2016. Desandou um pouco esse ano e, como o Brasil continua nessa história de trocar de técnico como quem troca de cor na terceira camisa, foi demitido no mês passado.


Na 'entressafra' do Santos, porém, teve algumas passagens sem muito brilho. No Palmeiras, assumiu em 2014 numa condição semelhante a nossa e, com um aproveitamento pífio de 38%, só não foi rebaixado porque o Vitória não conseguiu ganhar do Santos em casa na última rodada. Antes, em 2013, alguns jogos discretos no Fluminense e uma campanha bem irregular com aquele Vasco bizarro que terminaria rebaixado.


Também passou por Flamengo (nada demais), Internacional (campeão Gaúcho e da Recopa Sul-Americana) e Atlético-MG (salvou do rebaixamento). Currículo por currículo não é nada demais, até porque houve um bom espaço de tempo entre o último e o penúltimo trabalho, então, por ora, é melhor analisarmos a contratação por estilo, situação e mercado. E, no fim das contas, é a melhor opção que o São Paulo tinha em mãos. E isso precisa ser valorizado.



Mas, fosse esse o problema, estaria tudo bem. Há de se admirar a coragem de Dorival Júnior em assumir o São Paulo nesse momento turbulento, com problemas internos, sem a mínima estrutura de trabalho e com uma diretoria que vive num mundo da lua. A coletiva de Leco nesta terça, pós demissão de Rogério, é uma das coisas mais bizarras que o são-paulino já viu. Dizer, acreditem, que o clube deu todo o respaldo e todas as condições para Rogério e que a diretoria não tem nenhuma responsabilidade no fracasso do mesmo é praticamente pegar o escudo do clube, jogar na lama e deixar por ali mesmo. Mais do que ele já está.


Dorival vai encontrar um São Paulo instável, com elenco enxuto, jogadores irregulares, reforços chegando agora e um preparo físico de dar dó a times da quarta divisão do Campeonato Paulista - isso pra ficar dentro de campo. Se ele conseguir, ao menos, tirar o melhor de uma parte das nossas peças, será o suficiente para terminar o ano sem maiores sustos. E aí, quem sabe, finalmente poder acreditar que vamos começar bem a temporada seguinte.


Mas, convenhamos, mesmo os mais céticos ou os mais esperançosos não acreditam nisso. O São Paulo teve 12 técnicos diferentes de 2009 pra cá, dos mais diferentes estilos, e com elencos de características variadas. Porém, desde então o clube passa por péssimas administrações - e são os mesmos dinossauros que lá estão.


Não estou dizendo que Rogério Ceni não teve culpa no processo desse primeiro semestre, muito pelo contrário. É só, simplesmente, saber que nessa tempestade que atualmente é o Morumbi realmente fica muito difícil ter sucesso. É difícil pela incômoda situação, mas o torcedor precisará ser paciente.


Seja bem-vindo, Dorival. Quero acreditar que você sabe no que está se metendo e não posso deixar de valorizar sua ousadia. Externamente, você encontrará apoio e uma dose de desespero. Esperamos que saiba lidar com isso. Acredite, seu maior problema está bem longe de ser o lado de cá. Boa sorte para nós e boa sorte para você.


(E como as coisas nunca são 100% boas deixo vocês com essas duas imagens aqui embaixo, valeu)


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Cena um: Wesley lamentando


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Cena dois: Wesley de chinelo