É difícil acreditar que Maicon dará a volta por cima no São Paulo

Gazeta Press
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Olha só que cena frequente


O português recém-chegado no Brasil foi conhecer uma padaria paulistana e pediu um pedaço daquele bolo que estava ali, encostado, dias e dias sem ninguém comer. Provou, gostou muito, quis levar o produto todo, e o chefe brasileiro, que não é bobo nem nada, jogou o preço lá em cima. O português pagou e saiu feliz da vida. Só não mais feliz do que o próprio brasileiro, que passou dias rindo feliz pelo lucro que teve com aquele bolo que ninguém mais queria.


Agora invertam os personagens.


Maicon não é o pior zagueiro do Brasil (talvez esse seja o Lucão, mas isso é assunto pra outro post). Longe disso, se jogar o simples como já jogou aqui mesmo no São Paulo, tem bola pra ser titular tranquilamente na maioria dos clubes do Brasil. No entanto, por tudo que (não) vem jogando, pelo momento do time e por toda a situação problemática, é difícil de acreditar que Maicon vai conseguir recuperar seu espaço no São Paulo. As constantes falhas, cada vez mais rotineiras, deixaram o zagueiro perto do fundo do poço em sua relação com a torcida.


Maicon chegou como excelente reforço, jogou muito (muito mesmo) no primeiro semestre do ano pasado, justificando aquela bolada toda que pagamos nele. Apesar dos valores ainda serem contestáveis (diz a diretoria que pagou 6 milhões de euros, diz o Porto que foi bem mais), grande parte (eu incluso, jamais negarei) foi favorável a gastar tanto para contratá-lo. Era mais do que um zagueiro: era um ídolo em potencial, em uma época de extrema carência.


A coisa mudou. Com os milhões enviados aos portugas, o desempenho de Maicon foi caindo de rendimento. De um primeiro semestre 8, foi pra um segundo, vá lá, 5. Seu futebol caiu muito de produção, mas ainda estava aceitável porque tínhamos a imagem fantástica dos meses de empréstimo - e também, claro, porque o time estava daquele jeito e qualquer coisa jogando o básico estava muito aceitável.


Nesse ano a coisa está mais exposta. Maicon vem falhando com frequência e quem enchia a boca pra falar que ele era muito melhor que Rodrigo Caio provavelmente baixou a cabeça. Com esse futebol, é difícil acreditar que vai conseguir se recuperar. No máximo, o que mostrou no segundo semestre de 2016. Está bom?



Desde o começo do ano surgem especulações envolvendo Maicon e uma volta para a Europa, especialmente para o futebol turco. Após a falha (bisonha) contra o Corinthians, pipocou de novo uma possível ida para o Galatasaray, principalmente porque ele teria declarado que estava insatisfeito por aqui. Pois bem, Maicon desmentiu as palavras e garantiu estar muito satisfeito com o clube. Vamos, então, não dar polêmica para o que não merece e deixar boatos inventados onde nunca deviam ter saído: dos confins da internet.


Maicon precisa ser cobrado pelo seu futebol. E, no momento, precisa ser muito cobrado. Não tenho interesse nenhum em advogar a favor de jogador e, desde o segundo semestre passado, bato na tecla de que ele não vem jogando o que pode (do mesmo jeito que bati na tecla de que deveria ter sido contratado, como foi). Maicon não está bem, e, se continuar jogando assim, não vai deixar de ser contestado. Julgo que o máximo que Maicon pode nos oferecer é um zagueiro nota 6. Dificilmente será o 8 que foi antes de ser contratado, e pode ser mais do que o 4 (sendo bonzinho) que está sendo atualmente. E isso não é ruim: é difícil achar time no Brasil que tenha dois zagueiros nota 6.


A questão é simples: Maicon vai conseguir recuperar o prestígio no próprio São Paulo? Vale lembrar que o zagueiro saiu de forma conturbada do Porto, após seguidas falhas - e, vejam só, por lá foi titular, capitão e ídolo. Há alguma semelhança?


A meu ver, é difícil que consiga. Acho que Maicon até terá tempo para reconquistar a torcida do São Paulo, mas por pura necessidade - não acredito que cheguem altas propostas pelo defensor. O São Paulo vai tentar, pelo menos, recuperar os 6 milhões de euros (isso sem contar os 50% de dois atletas da base). Mas, se antes era impensável negociar o zagueiro, hoje já é diferente: se alguém sinalizar que pode oferecer uma grana que chegue perto dos tais seis milhões, a gente topa. Se não tivesse sido tão caro, a gente talvez até aceitasse uma daquelas barreiras móveis de treino. Como foi, a gente torce pela sua melhora.


As falhas, declarações e a falta de prestígio até dentro do clube podem ser um caminho sem volta. Julgo que, fosse um ano de empréstimo, e não seis meses, Maicon teria ido embora em dezembro, sem nem cogitarmos pagar o que pagamos. Ou teriamos pagado, sei lá, a metade. O zagueiro até tem chance de se recuperar, mas é improvável que alcance o status que chegou antes de ser comprado em definitivo. O único fato é que, hoje, Maicon está muito longe de ser uma unanimidade para o São Paulo.


E o que os portugueses devem estar fazendo de piada com brasileiro agora...


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Quando temos metade da temporada e isso aqui é o principal destaque do cara, bem, tem algo bastante errado