Eliminado, mas São Paulo resgata espírito e dá nova esperança

Rubens Chiri / São Paulo FC
Rubens Chiri / São Paulo FC

Que atleta


Direto ao ponto: quando tudo apontava para que tivessemos a atuação mais desastrosa do ano, na verdade veio o melhor jogo do São Paulo na temporada. A vitória contra o Cruzeiro veio e a classificação ficou por pouco, mas fica uma ponta de otimismo do torcedor, que com certeza vai valorizar essa partida de volta e acreditar que dias melhores virão. Essa eliminação é daquelas que, se na hora dão aquela sensação de que dava, com a cabeça fria nós veremos que foi boa para nossas pretensões.


Em primeiro lugar, é de se admirar a postura do São Paulo no Mineirão. Justificável porque tinha que buscar o resultado desde o início, mas a atitude do Tricolor em campo foi louvável, tomando conta da partida no início e se impondo mesmo fora de casa e derrubando o único grande ainda invicto da temporada. Isso valoriza ainda mais a nossa atuação.


Por partes. Além de Rogério, duvido que alguém tenha aprovado a escalação antes da partida. Com Jucilei totalmente desgastado, já que tem que correr por três no meio-campo, Luiz Araújo em fase depressiva e uma porrada de desfalques, Ceni fez o que tinha que fazer. Mas o esperado por nós era que João Schmidt, Cícero e Wesley sofressem diante dos (bons e) insinuantes jogadores ofensivos do Cruzeiro, como Arrascaeta, Thiago Neves e Sóbis. Até aconteceu, mas não como esperávamos. O time da casa dominou a partida em certo ponto, mas com uma pressão muito menor que imaginávamos.


O ponto vai para Rogério. O estreante Morato, que a princípio mais parecia uma aposta desesperada, correspondeu e muito. Foi um dos principais destaques da vitória tricolor e, mesmo que seja só por um jogo, mostra que vai merecer chances como titular. Além disso, o time do eterno capitão mostrou espírito, brio e pegada, e isso é o mais importante. Depois de dois jogos que pareciam não valer nada, o São Paulo voltou a se portar como time grande. E isso não é qualquer coisa.


De negativo, algumas atuações individuais. Rodrigo Caio, cercado de uma desnecessária polêmica e provavelmente até desanimado com tudo que envolveu o caso do jogo contra o time de Itaquera, teve talvez sua pior atuação nos últimos tempos - que será repercutida ainda mais graças ao lance de domingo, mas que não deveria. Cueva também foi mal, e isso é algo que o São Paulo precisa resolver logo: quando suas principais peças não funcionam, como os dois pilares citados, o time normalmente não rende. 


Só para não deixar passar: Cícero não pode jogar se não houver duas pessoas correndo por ele e Wesley, mesmo que esteja levemente melhor do que na temporada passada, passou longe de produzir algo útil e não é opção para o time. São peças caras e com histórico de problemas, então é mais um ponto que Rogério vai precisar lidar.


Enfim. A classificação não veio, mas foi pelo jogo no Morumbi. No Mineirão, o retrato do São Paulo que queremos ter. Que ainda é inconstante, tem um elenco limitado, sofre com os problemas físicos e está longe de brigar pelos títulos, Mas que tem futuro. O erro está em esperar que o time, com Rogério, num passe de mágica voltasse aos melhores dias. Isso demanda tempo e trabalho, muito trabalho. O jogo de hoje vai ser tomado como bom exemplo. E, se retratar um pouco do nosso futuro, estaremos muito bem encaminhados.



Renan Ribeiro: 7
Não teve culpa no gol, seguro nas saídas pelo alto e fez uma defesa monstruosa no fim do jogo.


Bruno: 6
Foi bem nos poucos minutos que jogou. Sua condição física é um mistério.


Maicon: 7
Boa partida, assim como foi no Morumbi. Vacilou em um único lance perigoso do Cruzeiro, mas esteve atento na maioria das jogadas e foi importante na proteção.


Rodrigo Caio: 3
Jogo pra esquecer. Parecia fora do Mineirão, errando jogadas bobas, botes secos e a cagada no gol dos caras. Me lembrou o Rogério Pinheiro em 2000 e praticamente me fez chorar aqui. Infelizmente acontece logo depois de toda aquela polêmica do fim de semana, então as críticas serão potencializadas. Mas tem crédito e continuará sendo importante no São Paulo.


Junior Tavares: 5
Caiu de produção e tá visivelmente desgastado. Uma hora vamos estourar o moleque.


João Schmidt: 4
Visivelmente com a cabeça lá na Europa mesmo. Por mim, nem entra mais em campo.


Cícero: 4
Fez bem o passe de cabeça pro Morato no primeiro gol, mas impressiona como está fora do ritmo e da intensidade do resto do time. Desculpem, mas tirando um ou outro passe importante que ele acerta, é praticamente estar com um a menos.


Wesley: 5
Apagado no meio, útil na lateral - o que não quer dizer que eu esteja falando pra ele jogar lá.


Cueva: 4
É um clone. Só pode.


Morato: 7
Surpresa absurda. Mostrou personalidade, vontade, raça e qualidade. Cedo pra dizer qualquer coisa, mas a aposta de Ceni aparentemente não é furada.


Pratto: 7
Um monstro. Contrato vitalício já.


Rogério Ceni: 8
Calou minha boca depois que vi a escalação aparentemente bizarra, mas a forma como o time se portou foi animadora. É cedo pra julgar, está cheio de problemas, o time não é tudo isso, mas precisa de crédito e paciência.


Jucilei, Thomaz e Gilberto: 7
Três peças que, por mim, precisam jogar. Todos fizeram boa partida.


Rubens Chiri / São Paulo FC
Rubens Chiri / São Paulo FC

Confesso que 2006 veio na minha mente nessa hora