Santos: empate é triste retrato de um elenco sem ambição

Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Dorival precisa recuperar a ambição do elenco


O 0 x 0 diante do Santa Fe, fora de casa, na terceira rodada da fase de grupos da Libertadores, pode ser considerado um bom resultado? Se você olhar apenas o placar, até que pode. Se você viu o jogo, sabe que esse placar foi uma ofensa para quem perdeu 90 minutos mais acréscimos vendo a partida. Porque uma coisa é jogar fechado e explorando os contra-ataques, outra é ter a postura de ontem.


Parece que o time voltou para julho de 2015, quando estava perdido e sem rumo na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Apelar para lançamentos desnecessários toda hora é um sinal disso. Não é difícil: para explorar os espaços abertos, time precisa de velocidade para uma rápida transição. E velocidade não é correr. Dois toques na bola de cada jogador envolvido no processo já basta para chegar na entrada da área rival.


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Ontem, parecia que Santos estava na maratona de jogar quarta e domingo desde o início do mês. E sabemos bem que Dorival teve, pelo menos, oito dias para preparar e treinar o time. A postura dos jogadores em campo foi dessas coisas ridículas, que dá raiva, que me faz ter cada vez menos esperança de uma grande conquista nessa temporada. Lento, Santos aceitou o empate sem gols ainda no primeiro tempo. Mesmo quando acelerou o jogo e criou as melhores chances, parecia algo do acaso.


Esse é o triste retrato de um elenco sem ambição alguma, de um elenco que pouco se dá em campo, de um elenco que se fecha em uma panela para mandar e desmandar. E tudo isso com apoio de todos que estão ali dentro. Não diria que é vergonhoso, talvez triste seja a melhor palavra. É triste ver jogadores usando a camisa do Santos e não entrando em campo para dar o melhor de si, para tentar ganhar, para dar alegria ao seu torcedor. Parece que todos estão mortos por dentro e apenas esperam a primeira chance para ir embora de vez.


Por incrível que possa parecer, Victor Ferraz e Lucas Lima foram os melhores em campo. E sabe o motivo? Eles pareciam mais interessados em tentar alguma coisa do que o resto. A defesa se comportou bem, a lamentar a expulsão besta de Jean Mota, que foi muito cobrado por Bruno Henrique ainda no campo. Por unanimidade, o pior foi Vitor Bueno. Desde a lesão sofrida na reta final do Campeonato Brasileiro do ano passado, ele ainda não voltou a ser aquele jogador de antes. Precisa ir para o banco de reserva com urgência. 


Agora serão 15 dias de preparação até a partida de volta contra o Santa Fe. Se tem algo a tirar da eliminação do Campeonato Paulista, é ter a esperança de um elenco inteiro nos últimos três meses de temporada, coisa que não aconteceu nos últimos oito ou nove anos. Mas, além da forma física, esses jogadores precisam mudar a postura urgente. Brigar mais pela bola como se fosse uma final de campeonato. Se isso não acontecer, lá vamos nós ficar mais um ano sem títulos importantes. E não é isso que queremos desse elenco.