Santos: falar em demissão de Dorival é uma insanidade

Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Dorival precisa ser cobrado, mas falar em demissão é insanidade


O Santos está há três jogos sem vencer e entrou em crise com menos de um mês de temporada rolando. Todos, e me incluo nisso, colocaram muita expectativa no elenco e na comissão técnica por tudo que aconteceu ano passado. Esfacelado em boa parte do Campeonato Brasileiro, o time ainda conseguiu ficar na segunda posição – um ótimo resultado, diga-se. É normal esperar mais, ainda mais depois das contratações feitas.


Mas vieram as lesões de Renato e Vanderlei, a demissão do diretor de futebol, o problema estranho da inscrição de Vladmir Hernández e o mundo desabou. Ainda mais depois da estreia por 6 x 2, em que parecia sermos invencíveis. A dificuldade em vencer o Red Bull, as derrotas para São Paulo e Ferroviária e o empate sem gols diante do Ituano colocam em risco o trabalho de quase dois anos.


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Sim, colocam porque não podemos esquecer: é ano de eleição no clube. Modesto e sua chapa desejam continuar por mais três anos e, claro, estão suscetíveis a qualquer tipo de pressão do conselho. Inclusive acabar com um trabalho que tem boas chances de render frutos neste ano. Politicagem em clube de futebol já é um negócio asqueroso, mas parece pior no Santos. Todos ali tratam o clube como um feudo particular. Longe da vigilância da capital, eles podem deitar e rolar sem serem cobrados. As últimas administrações mostram isso.


Um exemplo da pressa e da falta de noção são alguns conselheiros jogando o nome de Vanderlei Luxemburgo no ventilador. Só posso supor que essas pessoas odeiam o clube e desejam o pior, porque é uma piada. Mas o fantasma ronda, então acabam pressionando elenco e comissão técnica por nada. Eu também estou chateado pelas derrotas, pelas mudanças táticas de Dorival ainda não terem encaixado e por todos esses problemas internos que foram colocados para fora nos últimos dias.


Dorival precisa ser questionado? Sim, precisa, principalmente por passar a mão no elenco e não cobrá-lo de maneira mais forte. A diretoria precisa ser questionada pela inscrição de Hernández não ter saído ainda? Sim, sem dúvida. Ninguém está imune a nada nesse mundo. Mas cogitar demissão e uma drástica mudança a poucos dias da estreia da Libertadores é uma insanidade tremenda. É agora, apesar de toda chateação e impaciência, que todos precisam de apoio.


Nós, torcedores, precisamos ter calma. É ruim perder, é ruim ver o time envolvido em uma crise interna, tudo isso incomoda muito. Mas entre isso e uma mudança que não resolve no longo prazo, prefiro continuar como está. Mudar agora seria tentar consertar o telhado durante uma chuva.