Santos: Molina se aposenta e se esvai o sonho da volta de um amor inexplicável

Explicar o amor é impossível. Você pode tentar explicar para alguém o quanto ama alguém, mas fatalmente irá se confundir nas palavras, usar metáforas... Ser claro é quase utópico. Explicar amor por jogador de futebol, então...


Lembro de assistir a Medellín 2 x 3 Santos, semifinal da Libertadores de 2003, deitado no chão da sala da casa dos meus pais. Um meia do time colombiano jogou absurdos naquela noite e, mesmo com a felicidade da vaga na final sendo meu principal sentimento, surgiu um leve carinho pelo tal meia.


Cinco anos depois, o Santos anunciou um pacotão aleatório de jogadores desconhecidos. Nomes como Michael Jackson Quiñonez, Sebastián Pinto, Mariano Trípodi... E Mauricio Alejandro Molina Uribe. Mao Molina. Aquele meia do Medellín que havia quase acabado mais cedo com o sonho dos Meninos da Vila.


Gazeta Press
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Deus Que Sangra


Eu tenho carinho por muitos jogadores aleatórios. Cuevas, paraguaio que jogou a Copa de 2002. Lucas Otávio. Todo mundo que joga pela seleção da Islândia. Não faço muito sentido. Como Mao Molina. Como o amor do santista, ou parte deles, por Mao.


Em nenhum momento dos 78 jogos que fez pelo Santos ele se tornou titular absoluto. Meia irregular, não transmitia segurança alguma. Fez um golaço contra o Chivas, na Libertadores, estava no 7 a 0 sobre o San Jose no mesmo torneio, fez 17 gols... Atuação histórica? Nenhuma. Lances mágicos? Zero. Títulos? Longe disso.


Sangramentos na face que ficam para sempre na memória do torcedor? Um.


É curioso, não é, como nos deleitamos por imagens mesmo que ela não nos apresente um contexto claro?


Molina sangrou. Um corte no nariz. Mas era jogo de Libertadores. Por um time horrível. Que se classificou com um golaço nos acréscimos. E Molina, sangrando, foi o primeiro a chegar no autor do gol para o abraço.


E, ao fim de Santos 2 x 1 Cúcuta, último jogo da primeira fase da Libertadores de 2008, disse: "Santos és amor".


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Molina e Trípodi, após o golaço de voleio do argentino que levou o Santos às oitavas da Copa em 2008


Molina sangrou, disse que o Santos é amor, se tornou o DEUS QUE SANGRA, um apelido um tanto quanto genial, e virou ídolo de boa parte dos santistas.


Saiu em 2009, nunca voltou e, no dia 13 de outubro de 2017, anunciou que se aposentará ao final da temporada colombiana, na qual ainda atua por seu time de infância, o mesmo Medellín pelo qual jogou muito em 2003.


Molina jamais voltará ao Santos e esse amor inexplicável se esvai, enfim. O que ficam são as memórias e o carinho que, tal qual esse texto, não fazem muito sentido. 


Mas quem, em 2008, cantou nas arquibancadas ao ritmo de funk "E ele é colombiano... Molina é colombiano...", entende. 


Esse é Mao Molina. Você foi "Molinete" também?


Vila Belmiro: 100 Anos, 100 Jogos


Muita, muita gente mesmo me procurou e comprou o livro após eu anunciá-lo aqui. Você pode ser o próximo, me chamando no Facebook clicando aqui. E sim, Molina está no livro. Por motivos óbvios. Mesmo que inexplicáveis.


Divulgação
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SIM: MOLINA ESTÁ NO LIVRO