Sem time ideal por 19 rodadas, Santos faz turno (quase) perfeito

A bronca fortalece, o elogio enfraquece. Parece frase de auto-ajuda, motivacional, calendário da Seicho No Ie, enfim... Mas é verdade e cabe bem ao se descrever como eu trato o Santos no Campeonato Brasileiro aqui no blog. Corneto, critico, mas é sabendo da fraqueza que passamos a enxergar como melhorar. E o Santos fez isso: assumiu que é mais fraco que alguns rivais, resolveu correr (em boa parte dos jogos) e pronto. Com vontade, se estabeleceu na parte de cima da tabela.


Fez mais pontos no 1° turno (35) do que havia feito no mesmo período do torneio de 2016 (33) - no qual foi vice, é bom lembrar. 


E por isso, agora, me sinto à vontade para elogiar: o Santos fez um turno perfeito. Ou quase, ok, se você é mais crítico que eu e exigia liderança, briga com o Corinthians, essas coisas. Eu não. A realidade positiva é essa: estar em 3° com um time que nunca escalou, em nenhuma das 19 rodadas do Campeonato Brasileiro, seu time titular ideal.


Gazeta Press
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A imagem-símbolo do Santos no 1° turno


Teoricamente, a escalação ideal (não na minha opinião, nem na da torcida - e sim pelo jeito que as coisas funcionam) do Santos seria Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Luiz Felipe e Zeca; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Vitor Bueno, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira.


Mas a dupla de zaga, inexplicavelmente, segue sem voltar. Então o ideal muda para a dupla David Braz e Lucas Veríssimo. Pois bem: até a venda de Thiago Maia, no meio de julho, essa escalação havia atuado ZERO vezes junta no Brasileiro. Foram 13 rodadas assim, até Maia ir para a França. Além disso, Vitor Bueno se lesionou contra o Atlético-GO, na rodada 11. Segue a lista de substitutos:


Fluminense: jogaram Jean Mota e Yuri. Coritiba: Matheus Ribeiro, Hernández e L. Donizete. Cruzeiro: Hernández. Corinthians: Copete e Hernández. Botafogo: Matheus Ribeiro, Vecchio, Arthur Gomes e Kayke. Atlético-PR: Jean Mota, Copete e Kayke. Palmeiras: Jean Mota, Kayke e Copete. Ponte Preta: Kayke. Vitória: Alison, Jean Mota e Kayke. Sport: Noguera, Jean Mota e Kayke. Atlético-GO: jogou com reservas. São Paulo: Jean Mota, Thiago Ribeiro e Kayke. Atlético-MG: Daniel Guedes, Donizete, Vecchio, Jean Mota e Kayke.


Nas 13 rodadas em que Thiago Maia esteve no Santos, o time teve TRINTA E TRÊS desfalques.


Maia foi embora e o onze ideal mudou para Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Lucas Veríssimo e Zeca; Renato, Lucas Lima; Copete, Ricarod Oliveira e Bruno Henrique.


Contou? Só coloquei 10 nomes, certo? Porque o Santos NÃO TEM UM VOLANTE TITULAR AINDA. Vecchio foi testado - lesionou. Donizete foi testado - não tem condições. Yuri foi a primeira opção - não se firmou. Alison é o mais novo a ganhar chance - se firmará?


Não há a menor chance de um time sem dinheiro, com elenco limitado, repleto de lesões e vendendo um titular absoluto brigar por título. Brigar contra Palmeiras, Flamengo, times cheios da nota. Corinthians e sua base que funciona. Grêmio e o suposto "melhor futebol do continente".


Mas o Santos, com aproximadamente QUARENTA DESFALQUES em um turno, segue em 3°. À margem da mídia, à margem dos rivais. Ninguém presta atenção. Mas ninguém tira do G4 por, ao menos, mais duas rodadas - é só olhar a pontuação. Do G6? Por ao menos três. 


Pronto, elogios ficam por aqui. Voltamos à programação normal, com muita corneta e crítica. É mais divetido, não?