Mulheres, crianças, golaço: obrigado pela noite, Sereias

Eu sou observador. Ou, ao menos, gosto de me qualificar assim, de agir assim, já que sou calado em situações nas quais não estou confortável. Ruas lotadas, horário usual de saída do serviço das pessoas, 17h30: nada confortável. Mas resolvi caminhar entre o local em que estava em Santos e a Vila Belmiro, cerca de uma hora, para observar. O quê? O movimento na direção do estádio.


Na direção da final do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. Santos x Corinthians. 


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Divulgação/Santos FC
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Celebrem, Sereias. Falta pouco para a taça inédita


Mãe e filha. Vó, filha e neta. Dois homens. Cinco amigas, mãe e avó. Crianças. Muitas crianças. Mais crianças. Mais mulheres. Mais meninas descobrindo que futebol é, sim, para elas.


As ruas estavam assim. Camisas do Santos. Camisas piratas do Santos na cor rosa. Camisas piratas do Santos, produzidas para meninos em tamanho maior, com meninas as usando com elas caindo até o pé. Qual o problema? Divertido. Como seria o passeio da noite de quinta-feira para todas elas.


15 mil pessoas. Tranquilamente a maioria de mulheres e crianças. Homens? Só os que se adaptaram ao novo ambiente de estádio: vaias em tom de voz diferente, gritos sem palavrão, comemoração com crianças pulando nas cadeiras.


Uma menina de cerca de 5 anos estava bem à minha frente. Ela prestava atenção ao jogo. Não ao celular. Não às conversas da mãe e do pai. Ao jogo. Torcida bateu palma? Batia junto. Gritou? Gritava junto. Gol? Comemorava junto.


Um novo mundo se abriu para ela. Um mundo do qual ela costumeiramente não faz parte.


Mas, graças à Sereias da Vila, agora ela faz.


Gazeta Press
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Gol de cobertura em final de Brasileiro. Para poucos, quase ninguém. Não é, Sochor?


"Não sabia que o Corinthians tinha time feminino". "Agora sabe". Árbitra marcou falta duvidosa. "Professor, não foi nada". "PROFESSORA, hoje é professora!". Conversas ente um grupo de garotos de cerca de 10 anos ao meu lado. Aprendendo que existe um outro Santos para torcer. Não só o de Vanderlei, Renato e Lucas Lima. Mas o de Maurine, Sole e Sochor.


Sochor. Gol de cobertura. Em final de Campeonato Brasileiro. Com estádio lotado. Santos 2 x 0 Corinthians. O título, a taça tão sonhada, pertinho. Com classe. Para poucos.


Mas sabe o que não é para poucos? O futebol feminino. Existe o público. Existe quem curta. A Vila Belmiro viu isso nesta noite de quinta-feira. 


Noite das mulheres, das crianças, das Sereias da Vila. Obrigado, Sereias.