Levir Culpi e eu temos algo em comum: escolhas erradas em um sábado à noite

Eu não sou exatamente um ás em ter vida social. Então me pareceu uma boa ideia, quando certos compromissos foram cancelados, acompanhar o trabalho de Levir Culpi no Santos pela primeira vez in loco. Assim, me dirigi ao Pacaembu no último sábado à noite. Não foi uma boa ideia - nada surpreendente. Assim como Levir não teve boa ideias durante todo o duelo - e gostaria que fosse diferente.


Gazeta Press
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Pensou muito, agiu pouco


Minha primeira escolha equivocada foi ir para o estádio sem blusa. Passei um frio danado.


A primeira escolha errada de Levir foi não escalar Daniel Guedes, de volta de suspensão, no lugar de Victor Ferraz. O titular, novamente, teve atuação muito, mas muito fraca.


A minha segunda foi, no Tobogã, escolher um lugar vazio que parecia calmo para ver o jogo e analisá-lo tranquilamente. Ledo engano. Não deu 30 segundos um cara completamente alcoolizado decidiu passar os 90 minutos (todos, o tempo inteiro) discutindo com a torcida da Ponte. Claro, chegou uma hora que ele discutia com fantasmas, pois nem voz tinha mais. 


Já a do novo técnico santista foi não saber chamar a Ponte para o campo de defesa do Santos. Se ele não teve tempo de mudar o estilo de jogo e o time vinha de duas atuações boas com base em contra-ataque, por que não manter? Isso causou um time, novamente, rodando a bola sem passes verticais, sem objetividade. Quando precisou, Bruno Henrique e Copete já estavam cansados. Faltou perna.


No intervalo, mudei de lugar e fiquei na grade de separação do tobogã com o campo. Estava tranquilo até que, infelizmente, diferentemente da torcida santista da Vila Belmiro, a do Pacaembu resolveu que é "engraçado" gritar "bicha" no tiro de meta. Triste, muito triste. E piorou para mim: um casal ao meu lado, com um filho pequeno, achou bacana fazer isso. O cara gritava de forma histérica. A mulher dava risada. Todas as vezes. Qual piada segue engraçada após ser repetida cinco vezes em 10 minutos? Enfim. Exemplo triste para o menino. Coitado.


No intervalo, Levir não mudou o time. Nem depois. "Morreu" com duas substituições por fazer. Em um jogo no qual o Santos não fez gol, pouco criou chances e que, segundo o próprio técnico, o desgaste era alto. Ou seja: ele escolheu deixar jogadores cansados e que pouco produziam em campo, em detrimento de quem estava no banco. É inadmissível.


Por fim, em vez parar em algum lugar e jantar, depois seguir a avenida Pacaembu e pegar o metrô na estação Marechal, fui para casa sem comer e subi a ladeira que leva à estação Clínicas. Quem conhece, sabe: a ladeira não é brincadeira. Sem comer há umas 10 horas, passei mal. Depois de um 0 a 0 desse, tudo que eu queria. Ótimo sábado à noite.


Por fim, o Santos brecou sua ascensão no Brasileiro. Ganhou um jogo difícil fora de casa (Atlético-PR), ganhou um clássico... E foi tropeçar contra a Ponte, no estádio em que havia vencido os últimos 20 jogos. Ainda teve isso: acabou a série de triunfos seguidos. E com menos de 20 mil pessoas no estádio. Difícil...