Sul-americanos vão bem no Mundial sub-20. Algum brasileiro investirá?

Há pouco mais de uma semana, o Santos contratou o Diego Pituca, 24 anos, junto ao Botafogo de Ribeirão Preto. A contratação foi bastante contestada por parte dos santistas, que não conhecem o jogador e veem alguém mais velho acertar para atuar por um elenco, supostamente, sub-23 (claro, seu apelido também ajudou na "birra"). 


Recentemente também veio a público que o Santos passou a chance de contratar o argentino Dybala, então com 18 anos, quando ele estava no pequeno Instituto, da segunda divisão de seu país natal.


É algo comum nos times brasileiros: fechar os olhos para o mercado sul-americano. É quase um desrespeito, um desprezo ao nível dos campeonatos vizinhos. Mas há solução: acompanhar os jovens. Apostar neles. E, no próximo domingo, se encerra uma grande oportunidade: o Mundial sub-20. No qual a Venezuela faz a final.


Getty Images
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Venezuela tem várias revelações. Assim como o Uruguai, semifinalista


Assim, colocarei alguns nomes abaixo das duas seleções sul-americanas que foram bem na competição para a qual o Brasil nem se classificou, sob o comando de Rogério Micale no torneio continental: Venezuela e Uruguai, que caiu para a Viño Tindo na semi. São jogadores que vêm atuando bem na competição e que ainda não foram fisgados pela Europa (na Venezuela, por exemplo, o craque é Peñaranda, já do Watford-ING, e Herrera já é do Manchester City). 


Nomes, mais do que isso, que sairiam baratos para testes em times B ou categoria de base de todo o Brasil - e, claro, do Santos. Brasileiros deviam ser corajosos. Chances não faltam.


Fariñez - Goleiro - Venezuela
O Santos tem um grande goleiro para alguns anos (Vanderlei está com 33). Mas não tem reservas confiáveis e/ou de futuro. Fariñez vem sendo o melhor do Mundial (só levou dois gols, sendo um de pênalti) e, aos 19 anos, já é da seleção principal venezuelana. Está no Caracas e custa pouco mais de R$ 2 milhões. Seria alguém para cuidar e preparar para o futuro.


Velasquez - Zagueiro - Venezuela
A defesa venezuela vem fazendo um Mundial impecável e Velasquez é um dos responsáveis. O Santos vem sofrendo com zagueiros e não sobre ninguém realmente bom da base desde Gustavo Henrique, há quatro anos já. Velasquez custa menos de R$ 1 milhão e joga no minúsculo Estudiantes de Caracas. Por que não pegar um zagueiro alto (1,82 m) para testes? Ao seu lado, aliás, joga Nahuel Ferraresi, do Deportivo Táchira. O Nueva Chicago, da Argentina, já teve em seu plantal o zagueiro de 18 anos, mas ele voltou para seu país natal. Ainda é extremamente jovem.


Soteldo - Meia - Venezuela
O River Plate já está de olho no meia que atua pelo Huachipato-CHI. Ele, aliás, se transferiu para o Chile após ser o melhor da Venezuela no Sul-Americano sub-20 de janeiro/fevereiro. Além de observado pelo River, Arango, talvez o melhor jogador venezuelano da história, já disse que não concorda com o meia preso em um time pequeno. Aos 19 anos, chegaria como uma boa promessa para a base ou sub-23. Joga na meia como Sergio Córdova, artilheiro da Venezuela no Mundial, com quatro gols. Este atua pelo Caracas e também joga como atacante. 


De La Cruz - Meia - Uruguai 
O craque uruguaio e capitão do time que chegou até a semifinal é Nicolás De La Cruz, irmão de Carlos Sánchez, meia que foi o craque do River Plate na conquista da Libertadores de 2015. É utilizado no time principal do Liverpool-URU desde 2015, mas foi vice-artilheiro e vice-campeão da Libertadores sub-20 de 2016 pelo time, perdendo a final para o São Paulo. O artilheiro daquele torneio? Luiz Araújo.


Rodrigo Amaral - Meia - Uruguai
O meia se lesionou na estreia - na qual marcou um gol - e acabou ficando fora da derrota nos pênaltis para a Venezuela, mesmo já estando apto a atuar. Isso causou comoção no Uruguai e o técnico charrúa foi bastante criticado pela opção. Foi artilheiro do Sul-Americano e atua pelo Nacional.


Claro, eu citei apenas exemplos. Não garimpei completamente a fundo. É apenas uma base de nomes que podem aparecer com sucesso na Europa ou em outros grandes clubes da América do Sul em pouco tempo e fazer os times brasileiros se arrependerem - algo tão comum... Que os clubes daqui aprendam a lição rapidamente.