Ex-jogadores de nossos times iludem como amores passados

Fim de semana sem jogo para cobrirmos/analisarmos nos dá tempo livre demais para pensar na vida. Assim, enquanto os rivais do Santos jogavam, me peguei pensando em assuntos além do futebol, como relacionamentos, ex-namoradas, amores passados e saudade.


Só que, no fim, relacionei tudo isso com futebol. E, por isso, abaixo, você verá duas fotos: a de Emerson Palmieri e a de Bruno Peres. Dois ex-jogadores do Santos que têm causado comoção na torcida recentemente. Como duas ex-namoradas.


Gazeta Press
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Você ter que ver estes rostos aqui fará sentido nas linhas abaixo


Tanto Palmieri como Bruno têm sido notícia por estarem bem na Itália. Na última semana, por exemplo, Palmieri foi convocado pela seleção europeia para treinos. Já Bruno foi contratado por empréstimo pela Roma por muito, mas muito dinheiro (antes, quando estava no Torino, um golaço que marcou também chamou atenção).


Estas situações pareceram comover a torcida santista. Muitos se mostraram inconformados com a perda de laterais de "tamanho talento". Que era amadorismo e um tanto quanto inacreditável ceder jogadores deste calibre e se manter no elenco com Zeca e Victor Ferraz.


Isso se chama idealização de amores passados, e é comum em nossas vidas e no futebol. 


Ou você, quando está solteiro, sem sair com ninguém, não sente saudade de sua ex? E recorda apenas dos bons momentos, ignorando completamente os motivos que levaram ao término? É a mesma coisa com jogadores - ainda mais se na posição dos "ex" está alguém em má fase.


Quando você os vê feliz longe do seu time, acha que eles eram igualmente bons ao seu lado. Ignora que ambos (usando como exemplo os dois laterais) tiveram diversas oportunidades e nunca as agarraram - inclusive colecionaram atuações ruins. O Santos fez muito bem em se livrar tanto de Palmieri como de Bruno - e que bom, para ambos, que estão bem em outros locais. O relacionamento com o Santos era ruim e fazia mal aos dois lados.


A torcida não tem motivo algum para sentir essa saudade. Mas ela é natural do humano.


E quando idealizamos o que está próximo, mas não conseguimos tocar?


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Ele não deve ser má pessoa. Mas não é a solução


Lembra no colégio ou faculdade, quando você era tímido demais para chegar naquela paixão que sentava do outro lado da classe? Ela estava ali, era tangível, mas você nunca soube se daria certo - já que nunca tentou - e ficou apenas na imaginação, pensando em como seria maravilhoso se ela te desse uma chance. 


Você idealizou algo irreal. provavelmente não daria certo - porque, estatisticamente, relacionamentos dão mais errado do que certo. É a mesma coisa com jogadores afastados do elenco.


Emiliano Vecchio é mais um caso de idealização de amores. Como o santista pouco o vê, acha que ele é um joia que, quando tiver a chance de brilhar, será superior a tudo já visto. A solução, o amor que tanto procuramos em vida. Já li/ouvi muito que é só Vecchio ter uma chance que ele resolverá toda a crise do Santos.


Não vai acontecer. Apenas, em busca de uma solução para um time que não vem funcionando, você busca idealizações de amor para ter argumentos de que sabe mais que os outros. Que só você enxerga o que é certo. Que, como enxerga o que é certo, é alguém melhor.


Não é. Se fosse, seria treinador, e não palpiteiro. Se Vecchio não joga, é porque em treinos e jogos passados ele não foi bem. Ele não é melhor que ninguém do elenco atual. E, se tiver uma chance, provará isso. E o seu amor por ele acabará. Pois era baseado em uma mentira.


Assim, quando analisamos o futebol no calor do momento, ignoramos falhas, ignoramos o passado, ignoramos as coisas ruins. Guardamos na memória os fatores positivos - mesmo que não existam -, para termos uma mente mais leve, uma vida mais agradável.


Mas, assim como o amor, a vida não é muito agradável. Ela nos dá pancada constantemente. Como o futebol. Pare de idealizar. Aceite.