Dorival impôs estilo de jogo, mas não soube dar o passo seguinte

"Nas imagens, observa-se que o movimento de saída de jogo é repetitivo e estéril. A bola circula de um lado para o outro de maneira inócua: de Ribéry a Alaba; deste, para Dante; do brasileiro a Boateng; depois, Rafinha; e, por fim, a Robben, desenhando uma espécie de 'U' maiúsculo. Às vezes Neuer e Lahm também participam. É um movimento horizontal que não leva a lugar algum. A bola circula de um lado para o outro, de pé em pé, sem qualquer propósito."


Agora, pegue este trecho do livro 'Guardiola Confidencial' e mude os nomes, na ordem, para: de Bruno Henrique a Zeca; deste para David Braz; dele a Lucas Veríssimo; depois, Victor Ferraz; e, por fim, a Vitor Bueno, desenhando uma espécie de 'U' maiúsculo. Às vezes, Vanderlei e Renato também participam.


O Santos se transformou em uma cópia do Bayern de Munique de Guardiola. Uma cópia da pior fase do Bayern de Guardiola. O Bayern que Guardiola abomina.


Gazeta Press
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Qual o próximo passo? Ser objetivo. E Dorival e seu elenco não conseguem avançar no conceito


"O adversário pode se defender quase sem esforço., porque os jogadores do Bayern em nenhum momento tentam romper suas linhas: 'Senhores, isto que estão vendo é o tiki-taka, e o tiki-taka é uma m****. Não temos nenhum interesse nesse tipo de posse. É puro desperdício. É passar a bola por passar. Esse 'U' tem que acabar'."


Quem disse isso? Guardiola. Sabe quando te dizem que o tiki-taka é uma boa ideia? Que Guardiola gosta disso? É mentira. Guardiola quer que o próximo passo seja dado: a quebra da linha. Que os defensores e volantes avancem agressivamente, não toquem bola lá atrás. E Dorival, que tanto admira o técnico espanhol, não soube passar esse conceito ao seu elenco. Travou. E o Santos virou mestre em fazer o 'U', tocar a bola de um lado para o outro sem objetividade.


O Santos tem cinco jogadores entre os 13 que mais acertaram passes no Paulista. Veríssimo, Ferraz, Maia, Yuri e Zeca. Todos de defesa. Que aumentam seus números tocando a bola entre si. Nenhum meia aparece na lista. Nenhum atacante. O time troca a bola infinitamente atrás da intermediária defensiva. Não soube dar o passo seguinte.


Assim, quando Thiago Maia diz que prefere perder jogando bem a ganhar jogando mal, como fez após a eliminação para a Ponte Preta, ele mostra que o elenco, de fato, não faz ideia de qual é o próximo passo no conceito que Dorival emprega.


Pois o time não joga bonito. O time joga errado. Não é belo o toque de lado. Não é belo o toque em 'U'. O toque sem objetividade é, apenas, inútil.


E o time joga mal, mas não ganha. Se o próprio elenco não faz essa leitura, se o técnico não consegue mostrar isso a seus comandados, como crer que o futuro pode ser bom?


Insistir com um estilo de jogo é correto. Não saber avançar no estilo é a falha que Guardiola ensinou que não deve ser cometida. Se Dorival estuda o espanhol, chegou a hora de provar.