Muitos queriam críticas ao Santos, então chegou a hora

Quem acompanha o blog sabe que os textos aqui costumam ser de análises sempre pregando a tranquilidade e pedindo calma ao torcedor - e que usar hipérbole, seja com críticas exageradas ou com elogios em demasia, é algo que não passa por aqui. Assim, do lado crítico, a promessa era esperar a Libertadores começar para ver se valeria a pena condenar certas atuações coletivas e individuais do Santos.


E chegou a hora: é válido e essas críticas serão feitas neste texto, escrito após a derrota de 2 a 1, de virada e em casa, para o Palmeiras.


Gazeta Press
Gazeta Press

O gol que Vitor Bueno perdeu é a definição em imagem de 'pedir para sair'


Não é preciso apontar culpados pela derrota. O time, claramente, jogou mais bola do que vinha apresentando antes de começar a Libertadores. Só que por, aproximadamente, 70 minutos. E 20 minutos de futebol médio ou ruim perdem partidas. E demonstram fraqueza, principalmente se os minutos abaixo da crítica forem os decisivos de um jogo. Foram contra o Palmeiras. No fim dos dois tempos o time "apagou". A virada foi merecida - mais pelo desastre que foi o Santos do que pela qualidade apresentada pelo rival.


E esse desastre, me desculpem, não está na conta de Dorival Jr. Não foi o técnico que, com o time vencendo, parou de atacar o rival. O Santos - o elenco inteiro - para de jogar após abrir 1 a 0. Não é teoria, é um fato que os números provam. O Santos simplesmente abdica de jogar bola quando está vencendo. E chama o rival. O resultado? Contra um time bom, levar gols.


O Footstats apresentou dias antes do jogo um gráfico no qual mostra como os quatro grandes de SP reagem 15 minutos antes e 15 depois de marcar um gol. O Santos, veja abaixo, passa a chutar apenas 0,38 vez por jogo nos 15 minutos seguintes a marcar um gol. Ou seja, menos de um chute por jogo! 


Reprodução/Footstats
Reprodução/Footstats

Sim, o Santos chuta 62% a menos depois de marcar um gol do que antes de anotar


Adivinha em que minutos o Palmeiras virou o jogo? Exatamente: dentro dos 15 minutos seguintes após o Santos abrir o placar. Não é coincidência.


Jogadores


Não foi Dorival que, buscando o jogo no campo de defesa, ficou parado esperando a bola no pé após rebatida da zaga - foi Bruno Henrique. Não foi o técnico que não acompanhou o lateral adversário que roubou a bola e entrou na área - foi Thiago Maia. Não foi o treinador que saiu do gol quase até a linha da pequena área e deixou a bola passsar por baixo de seus braços - foi Vladimir.


Não foi Dorival que deixou o lado direito (o do "pé bom") de Roger Guedes (jogador criticadíssimo pela  torcida palmeirense, aliás) aberto para um drible da vaca - foi Zeca. Não foi o treinador que deixou a bola passar por toda a área - foram David Braz e Veríssimo. E não foi o técnico que não acompanhou Willian, que tocou livre para o gol - foi Renato.


E no ataque, quem foi que perdeu um gol com Prass batido e com a bola praticamente em cima da linha? Foi Vitor Bueno, não Dorival. Lá atrás, quem perdeu lance pelo alto para Dudu, baixinho? Veríssimo e Ferraz.


São esses e mais inúmeros erros individuais que custam uma vitória - e, se a maioria sai em um espaço de tempo no qual o time inteiro parou de jogar, e não espaçados, maior a chance de sofrer um gol. Não deu outra.


Só que, após décadas de clubes demitindo treinadores enquanto os jogadores é que falham, se enraizou na cabeça do torcedor brasileiro que a culpa é sempre dele. E, muitas vezes, não é. Mas como mudar a cabeça de tanta gente ao mesmo tempo, como mudar a cultura de um país?


Não sei se é soberba, se é preguiça, se é estrelismo, se é má fase. Não sei. Mas todo o elenco santista titular apresenta defeitos constantes. Uma hora eles acontecem em conjunto e o desastre chega. Foi numa primeira fase de Paulista. Mas pode ser em um mata-mata de Libertadores. E aí não dá mais para pedir calma.