Santos vence Corinthians e vai com moral para o Equador

Para o santista, ganhar do Corinthians, seja qual for a situação, já é motivo para alegria e confiança. Além disso, a vitória por 2x0 contra o rival veio no momento mais oportuno possível para o Santos, que enfrenta o Barcelona de Guayaquil nessa quarta-feira, 13, no Equador.


O duelo contra o Barcelona SC vai exigir tanto o brio dos jogadores quanto a inteligência tática para superar uma das equipes mais perigosas da competição. Ao contrário do que vem mostrando, apesar da sequência de invencibilidade, o Santos é um time que sofre demais por conta da falta de inteligência no jogo tático.


Entretanto, esse resultado pra lá de positivo contra o Corinthians, na Vila, pode ser um fator preponderante para que o Peixe se imponha mesmo jogando fora de casa e num estádio que provavelmente terá mais de 57 mil torcedores alentando o atual campeão nacional.


Em uma partida excelente de Lucas Lima, que comandou com maestria as ações do clássico, o camisa 10 – que já é o jogador mais importante do Santos na Libertadores – ganha mais aspectos de “chefe” do que nunca. E é dos pés dele, e não apenas das mãos do Vanderlei, que o Santos vai precisar ainda mais.


É bem verdade que o ano de 2016 do Lucas Lima foi muito ruim, porém, tirando as intervenções milagrosas de Vanderlei e Lucas Veríssimo na defesa, o principal jogador santista em 2017 é o camisa 10. Como dito antes, ele é o melhor jogador do Peixe na Libertadores, especialmente por suas assistências (é o líder nesse quesito na competição, com 6 passes).


Gazeta Press
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Lucas Lima e Bruno Henrique, o arco e a flecha do Santos


Também é verdade que ele poderia ser mais regular, porém, num time tão pragmático e “torto” como é o Santos, fica difícil. Mesmo tendo vencido o Corinthians após um bom tempo de preparação para corrigir os erros, o Santos seguiu mostrando seus problemas de praxe.


As laterais seguem sendo um problema, além da dupla de volantes. Não existe marcação pelos flancos e na cabeça de área do Peixe. Pra piorar, a saída de bola continua debilitada pela má fase do Renato e pelas limitações técnicas e evidentes de Alison.


Outro ponto que precisa ser compreendido por Levir Culpi é a utilização errada do Copete. O colombiano nunca foi ponta direita na vida dele. Por mais que ele tenha força e ajude Victor Ferraz na marcação, fica cada vez mais evidente que ele está desconfortável na direita e acaba errando a maioria das jogadas. O Santos não troca os pontas durante o jogo, muito por conta da deficiência já notada de Bruno Henrique na direita também (erro de montagem de elenco). Com isso, o plano de jogo do Santos fica óbvio e fácil de ser marcado.


Todos esses detalhes implicam diretamente na atuação do Lucas Lima, que tem que voltar até a defesa para iniciar a jogada. Às vezes dá certo, tal qual o jogo contra o Atlético-PR, no jogo da volta, pela Libertadores. Outras vezes ele vai para a ponta e triangula com Bruno Henrique e Ricardo Oliveira. Porém, se o Lucas Lima for bem marcado, as jogadas criativas do time caem pela metade.


O adversário de quarta-feira, assim como o Santos, é uma equipe reativa e que gosta de jogar em velocidade. Guillermo Almada é um treinador estudioso, que preza pela compreensão tática a todo o momento. No entanto, los toreros não têm um jogador com as características de Lucas Lima, fazendo com que a equipe seja mais previsível que o Santos. Damián Diaz, que usa o número 10, é um bom jogador e ídolo da torcida, mas vem mal física e tecnicamente.


Essa vitória no clássico contra o Corinthians acaba sendo mais proveitosa para a Libertadores do que para o próprio Campeonato Brasileiro, por mais que a diferença tenha diminuído para 9 pontos.


O Peixe precisa aproveitar o momento, o moral por ter desbancado o rival e ser inteligente contra uma equipe chata de se enfrentar. Se depender do ano de Lucas Lima, as chances podem aumentar. Categoria ele sempre teve, resta agora torcer para que a equipe esteja minimamente segura para que ele desequilibre novamente.