Coincidência ou ilusão? O Santos de Levir Culpi acumula erros e segue longe da ponta

Ontem, no Mineirão, o Santos chegou ao seu quarto empate seguido na competição, sendo o primeiro em que a equipe faz um gol. Por incrível que pareça, o Santos segue sua caminhada de 15 jogos invictos, entre Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. No ponto de vista de Levir Culpi, isso tudo é apenas coincidência.


Será mesmo?


O Santos não vence uma partida desde o jogo contra o Flamengo, quando derrotou o adversário por 3x2, pelo Brasileirão. E numa partida em que não jogou bem.


Os quatro empates seguidos acenderam uma luz amarela na cabeça do torcedor, que vê a equipe piorar a cada rodada. Se não bastasse a incompetência ao não aproveitar os tropeços dos adversários no Brasileirão, a última partida pela Libertadores, contra o Atlético-PR - que aconteceu no meio desses empates -, também assustou, porque o time estava entregue ao destino. Ou à sorte de Levir.


Gazeta Press
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A sequência de empates, que culmina na manutenção da invencibilidade, está mais para um efeito placebo, de falsa impressão de que as coisas estão bem. A equipe está estagnada e agora vê a concorrência chegar perto do seu amado 3º lugar.


Melhor seria, em termos de pontuação, que o Santos tivesse perdido duas partidas e vencido duas do que só ter empatado. Ou até perdido uma, vencido uma e empatado duas. Não estaria invicto, mas teria mais pontos do que tem agora.


O acumulo de erros não passa apenas pela tabela. O Santos é uma equipe reativa e com apenas uma jogada trabalhada, que é a bola nos pontas e seja o que Deus quiser. Além disso, quatro jogadores titulares seguem mal na equipe e acabam destoando da realidade.


Tratam-se de Victor Ferraz, Zeca, Renato e Ricardo Oliveira. O primeiro tornou a errar na partida contra o Cruzeiro, quando foi ao ataque, perdeu a bola, não voltou para marcar, deixou uma lacuna nas costas de Alison e Veríssimo, que não conseguiu chegar à marcação do Rafinha. Enquanto isso tudo acontecia, o camisa 4 estava comodamente parado no meio-campo. Não é possível que só o torcedor esteja vendo que ele não pode continuar como titular, né? Coincidentemente, foi o Daniel Guedes sair do time que o Santos não venceu mais no Brasileiro.


Zeca, por mais que muita gente releve sua qualidade técnica, não é o mesmo jogador desde as Olimpíadas. Ele terminou 2016 em baixa, se machucou, voltou e ainda não conseguiu ser o mesmo jogador de um ano atrás. Jean Mota, por mais limitado que seja em comparação ao camisa 37, vinha muito bem nessa função. Por que não testar Zeca de volante, sua função original na base? Zeca é bom de bola e dá para recuperar.


Falando em volante, vou pedir encarecidamente que prestem bastante atenção no que eu vou dizer agora. Renato é o meu grande ídolo no atual elenco santista. O que ele fez por nós é louvável, porém, é nítido que ele não tem condições de desempenhar a função de volante mais. E é compreensível, devido à idade e às lesões que começaram a atazanar a vida do grande camisa 8. Não dá para cobrar intensidade de um jogador de 38 anos de idade, independente da técnica dele, que ele cubra as costas do Ferraz o tempo inteiro e ainda apoie o ataque. O time fica desguarnecido por conta dessa limitação e também pela deficiência técnica do lateral.


Com relação a isso, ou o Levir muda o esquema e coloca mais um volante/meia-central para dar suporte, ou preserva Renato. A situação é semelhante a de Carrick, no Manchester United, na temporada passada. Como tirar um cara tão identificado com o time e com a torcida? Mourinho utilizou o jogador em 38 partidas durante toda a temporada de 2016/17. O português evitou o desgaste do volante e impediu que ele se tornasse em um fardo. Levir deveria de fazer o mesmo.


Por último, outro jogador que tem moral enorme no elenco, mas que vem deixando a desejar faz tempo, bem antes das lesões, é Ricardo Oliveira.


O camisa 9 deixou de ser aquele cara que decidia partidas desde o Paulistão de 2016, quando ele jogou a final contra o Audax completamente estourado. Eu entendo a idolatria do torcedor, mas vale a pena manter um cara como titular somente pelo nome? Não é mais fácil utilizá-lo como uma arma para o segundo tempo? A situação do Ricardo é idêntica à de Renato. Infelizmente, o físico não ajuda mais os dois e o Santos fica muito vulnerável com a presença deles. A utilização dessas bandeiras precisa ser circunstancial.


Daniel Guedes, Jean Mota e Léo Cittadini mostraram que podem ser titulares quando tiveram a chance. Isso sem contar Vecchio, que saiu por conta de lesão, mas que havia ajeitado o problema de transição que o Peixe tinha no meio-campo para o ataque.


Levir Culpi tem opções para mudar essa situação, especialmente de jogadores que não rendem. E de todos os problemas, o mais fácil de resolver reside na lateral-direita, já que Zeca, Renato e Ricardo Oliveira têm técnica e podem ser aproveitados em outras circunstâncias, ou até em outra posição.


O empate visto pelo desempenho do time em campo está mais para uma ilusão do que para uma coincidência.