O dia em que conheci Grafite, o homem da camisa 23

Gazeta Press
Gazeta Press


Amigos e amigas corais,


O Santa Cruz tinha acabado de ser campeão do Nordeste e se preparava para a Série A de 2016, quando dei de cara com Grafite. Imediatamente, minha cabeça de zagueiro de pelada caiu em pane ao tentar imaginar uma disputa de bola, mano a mano, com o homem da camisa 23. Forte, alto e com a elegância de um Corcel Negro, Edinaldo Batista Libânio parece indomável à primeira vista.


A sensação logo vai embora quando o sorriso branco e a fala mansa aparecem. Sua humildade tem a grandeza proporcional ao que conquistou na carreira. Título mundial pelo São Paulo, convocação para a Copa do Mundo, campeão da Bundelisga... Currículo de sobra para ser lembrado como um grande jogador. No entanto, Grafite acaba de subir ao panteão que excede o que é feito nos gramados. Território de poucos. Principalmente nos dias de hoje.


Mesmo rejeitando o rótulo de salvador da pátria, ao assinar o contrato com salário de principiante e perdoando as dívidas, Grafite livrou o Santa Cruz do pior. Com o clube quebrado financeiramente, invadido pela torcida organizada e na beira da zona de rebaixamento, só se falava em uma crise que parecia sem fim. O fantasma da Série C estava à espreita. Só esperando o vacilo para atacar novamente.


Graças ao efeito Grafa, o ambiente mudou. O Arruda certamente estará cheio para ver seu ídolo santificado. Qual outro jogador do clube teria cacife para vender tantas camisas com seu número e dar uma noite de autógrafos? Que outro atleta no elenco seria capaz de trazer patrocínios vinculados ao peso do seu nome? Fora, é claro, o ganho em qualidade técnica que está em falta no time e anda tirando o sono de todo tricolor. Tchau e bença para Jaime. Até nunca mais, Alex Travassos.


Acabou o caô!


Sem pinta de repórter, nem microfone de emissora famosa, pedi para gravar um vídeo do celular na saída do treino físico. Grafite me atendeu como se eu fora um Tino Marcos. Trocamos uma ideia sobre os planos do Santinha para a Série A. Alírio, empolgado com os títulos, havia prometido brigar pela Libertadores. Grafite experiente e sereno, falou que ficaria muito feliz em apenas manter o clube na Primeira Divisão. Que precisávamos nos estruturar primeiro antes de mirar vôos mais altos. O tempo provou que ele estava certo.


Acompanhe o Arrudiando no Facebook!


Mostrei uma camisa tricolor de 2001, com o número 7 às costas, o mesmo que Grafite usava antes de ser consagrado pelo mundo com a 23. O Negão se emocionou e lembrou do início no Recife, ainda garoto. Das dificuldades e de como venceu na vida. Assinou com a mensagem: "Ao amigo Pedro, um abraço do Grafite 7/23". E agradeceu.


Eu que agradeço, Grafa. A nação tricolor que agradece demais. Obrigado por voltar para casa e acreditar sempre nesse clube.


A torcida está junta novamente.

Que venham dias melhores e muitos gols com beijo na aliança e o dedo apontando para os céus.


Grafite voltou por amor e para ser eternizado.