Santa despenca na tabela: quem quer rir, tem que fazer rir

Divulgação/SCFC
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Amigos e amigas corais,


Já estava cantado. Antes da derrota contra o Paysandu, pouco se falou sobre o jogo em si. As redes sociais do clube postavam informações sobre a partida, claro. Outra na Arena Gourmet de Pernambuco. No entanto, o que está na boca da imprensa, da torcida, dos jogadores e funcionários é dinheiro. Ou melhor, a falta dele.


A situação se arrasta desde o segundo semestre do ano passado, e ganha, com o desenrolar dos meses, capítulos dramáticos que ferem o clube e o ego de quem ama o Santa Cruz.


Já ouvimos um ídolo falar sobre assunto. Grafite relatou alguns dos problemas internos (e foi taxado de traidor por muitos). Já tivemos greve de funcionários. De jogadores. O STJD nos tirou pontos da Série A por causa do não cumprimento das obrigações trabalhistas! Deveria ser o cúmulo. Não foi...


[É tanta coisa ruim que não cabe em um parágrafo]


Reprodução/Instagram
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Na véspera do importantíssimo confronto contra o Papão, o argentino Facundo Parra, que mal jogou, publicou uma foto cobrando os salários atrasados. Nosso treinador, Givanildo Oliveira, cabra sério e que se incomoda demais com o tema, mostrou sua frustração na entrevista coletiva logo em seguida. 


"É lógico que os caras sentem. Não vou esconder."


Sentem mesmo. Estamos testemunhando mais uma vez o time despencar na tabela por falta de grana.


- Ah, mas Santa Cruz é isso mesmo. É na dificuldade!!


- Esses caras têm é que agradecer de jogar no Santa, porra!


Confesso que já fui menos crítico na minha vida de Tricolor em relação às dificuldades do clube e entendo quem acha que isso faz parte... Sim, temos essa inclinação de confundir a essência do Santa Cruz, que é do povo, da luta e da cor, com a romantização dos problemas financeiros. Mas aí vem a lembrança do aperto de cada mês. Da sensação boa em ver o salário pingando na conta. Tá tudo caro demais e o governo só faz espremer a gente. E sentimos vergonha.


Lógico que não é fácil para Alírio. Não se pode reclamar de falta de vontade da gestão em tocar o clube da melhor maneira possível. Muitas fontes de renda importantes foram bloqueadas e um balanço financeiro será divulgado na quinta-feira. Recibos com receita zero já circulam pelos grupos de whatsapp.


Porém, ao mesmo tempo, é preciso repreender a falha enorme no planejamento financeiro e a falta de habilidade na captação dos recursos por um clube do calibre do Santa Cruz. Lembrando sempre que nossa folha é de R$ 500 mil. Valor módico demais para tudo o que o Santa representa e almeja no futebol.


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O resultado de tamanha desorganização pressiona o ambiente do clube. Jogadores sem confiança e sem salário tomam decisões erradas em momentos decisivos, como a saída de Júlio César que ocasionou o cartão vermelho. O ponta volta para marcar o lateral adversário uma, duas, três vezes... na quarta o cara fica pregado. Voltar como, sem o combustível primordial trabalho? O time não rende. Sem criação, achou um gol de pênalti. As laterais abertas como avenidas, sem compactação. Parece um bando. Infelizmente. 


Enquanto houver sexta-feira, existe promessa de pagamento. Mas o tempo tá passando e o Santa já está mais próximo do rebaixamento que do G-4. O time precisa do seu torcedor. Não é vendendo jogo para a Arena que as coisas se resolvem. Não há perspectiva e a salvação é subir de todo jeito. Já que é assim: Promoção de ingressos e Arruda lotado! Se não tem qualidade, pelo menos tem apoio da arquibancada e movimentação na bilheteria.


Para conseguir o acesso é preciso seriedade. Não dá para esperar que a força da camisa coral resolva tudo. Existem pais e mães de família lá dentro checando o saldo do banco a cada semana. Agoniados.


Como diria aquele filme do Capitão Nascimento... 


É soldado: quem quer rir, tem que fazer rir.