Náutico 0x0 Santa Cruz: arena gourmet, futebol de várzea

Gazeta Press
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A foto traduz bem a dureza que foi ver esse Clássico


Salve amigos e amigas corais,


A gente vai ficando mais velho, chato e o fígado já não é o mesmo da áurea juventude. Aquele vinho Carreteiro, que descia suave, docinho, hoje trava no paladar. Antes, para mim, qualquer qualidade de futebol bastava para fazer o fim de semana. Clássico então era loucura total. 


Agora não. Ainda estou tendo que lidar com a azia resultante da ida à Arena Gourmet para assistir ao Clássico das Emoções Desilusões. Nem um Estomazil e dois Epocler deram jeito. Que jogo horrendo.


Erros e mais erros de passes. Sem criatividade de ambos os lados. Era falta no meio de campo e tome balão para dentro da área. Sério que os caras treinam todo dia e não tem a tranquilidade de tocar a bola e construir uma chance de gol?


Aí o atacante sai na cara do goleiro, livrinho da silva e a finalização é ridícula. Todo mundo sabe e repetiu o gesto na arquibancada. Ali era um tapinha, jogadô. Deslocando o goleiro e saindo pra comemorar. Sem aperreio. Mas Augusto bateu de peito de pé, em cima de Tiago Cardoso, que já estava caindo no chão. Ô dificuldade.


Pois é. A gente se dispõe a isso por amor mesmo. Porque não é divertido ir para casa de chapéu para ver um futebolzinho minúsculo. Além disso, pagar seis conto numa cerveja, não poder acender um cigarro, procurar amendoim e encontrar pipoca de cinema piora tudo. Acho que isso é um castigo por um dia esse esporte ter se vendido ao apático "conceito moderno".


Era mais legal enfrentar o Náutico na casa do Náutico. Os Aflitos. Entrar naquelas estreitas ruas cheias de árvores, espetinhos e ambulantes vendendo rádios de pilha. Gerava mais expectativa quando o rival tinha um time que não mudava completamente a cada três jogos. Antes, a gente se preocupava realmente com Kuki e Felipe. Dois anões que sabiam muito de fazer gol. Agora, só sabemos quem é Tiago Cardoso e Erik. Não tem ninguém nem para xingar.


- Ei Suelinton..


Melhor deixar para lá. 


Mesmo assim, o Santinha não conseguiu ser melhor que esse time fantasma e lanterna no Timba. Não agrediu como deveria. Não se impôs. Até para Giva, que é homem sério, faltou coragem. Contente com o empate, só fez duas das três mudanças que tem direito. Uma para cada mês de salário atrasado do Tricolor.


Wellington Cézar e Derley no meio de campo. Fazendo a transição da defesa para lugar nenhum. Beleza. Os caras são voluntariosos e tal. Mas a gente tá ficando velho e chato. É pedir demais um lançamento de trivela? Um passe na medida, daqueles que fatia o meio de campo? É, né? O futebol inverteu as prioridades mesmo.


Sem Roberto, que foi para a Chapecoense, ficamos ainda mais burocráticos no apoio. Sem Ricardo Bueno é difícil acertar o gol. João Paulo Formiga jogou bem, tentou criar, mas não conseguiu tirar o zero a zero insosso do placar de LED de 250 polegadas.


Para completar, uma atuação fraquíssima do juiz. Elmo Rezende inverteu faltas e não teve critério em grande parte do jogo. Só para estressar ainda mais o cidadão que não tem nem ônibus para voltar daquele estádio.


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Pior que essa Série B não tá difícil. O Guarani é o líder e nem o Inter tá conseguindo jogar bola. Mas o Santa não dá segurança nenhuma, até agora, de que vai brigar mesmo pelo acesso. Enquanto isso, Julio Sheik é acionado no segundo tempo para mudar o jogo. 


Que Givanildo encontre o caminho que tantas vezes trilhou para o acesso. Que consiga extrair o máximo de um elenco limitado, deixando um pouco de lado também suas próprias limitações. Principalmente na leitura de jogo e na criatividade das soluções. Se não tem Elicarlos, porque insistir em Wellington e não arriscar com Anderson Sales de volante? É mais qualidade no passe e ainda ganha a bola parada, por exemplo.

Agora temos dois jogos na Arena para chegar ao G4. Lá vamos nós de novo se virar nos 30 (quilômetros) para chegar lá.


É por amor mesmo. Vamo Santa Cruz!