Jogadores do Santa entram em greve por atraso de salários

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Jogadores do Santa Cruz cobram salários atrasados e não treinam no Arruda. Foto: CoralNet


Esse poderia ser mais um texto com críticas ao trabalho de Vinícius Eutrópio no Santa Cruz. Poderia falar aqui também sobre como o time deixou escapar um resultado melhor no Serra Dourada contra o Goiás, que até então estava na zona de rebaixamento. 


Mas, não, amigos e amigas corais. Como fazer campanha com a #ForaEutrópio e criticar a escalação do time se assuntos muito mais graves estão acontecendo no Arruda?


Problema recorrente há gerações, o atraso no pagamento de salários volta a ter desdobramentos ruins para o Tricolor. Depois de ser punido pelo STJD em processo movido pela Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol), com três pontos a menos na Série A 2016 e R$ 30 mil de multa, agora o clube tem que lidar com uma greve dos atletas em meio ao início da competição mais importante do ano.

Conforme apuração, sem receber salários desde abril e sem de perspectiva de pagamento, os jogadores que se apresentaram nesta quarta-feira (7), no Arruda, (aqueles que não atuaram 90 minutos) se recusaram a realizar os treinamentos programados pela comissão técnica. Ficaram nos vestiários do Mundão sem trabalhar.


Ao não conseguir honrar uma folha próxima aos R$ 500 mil, ordinária para um clube como o Mais Querido, a diretoria coral põe em risco o foco do time para a partida contra o Londrina, que vale a permanência no G-4 e uma possível evolução da equipe, que ganhou recentemente reforços para a continuidade da Série B.


Tenho VÁRIAS críticas ao trabalho e à postura de Eutrópio no comando do time, já faladas aqui em diversas oportunidades. Falta criatividade, falta compactação ofensiva, falta sangue muitas vezes e sobra teimosia, mas, convenhamos, fica complicado pedir a cabeça do treinador se o cara não tem as mínimas condições de trabalho. Como passar confiança ao elenco e funcionários se os salários atrasam desde o primeiro dia de pagamento do ano. Falta campo pra treinar quando o Arruda está encharcado, faltam opções no elenco (só tem Nininho na direita, por exemplo).


Imagine aí. Você assina contrato com uma empresa, é cobrado por acionistas e no final do mês não recebe o valor pelo esforço aplicado. Como dormir tranquilo e ter motivação? Como está a cabeça dos jogadores que estão aí? E o quê pensam aqueles que acabaram de chegar e se deparam com esta situação? 


Não é todo mundo que ganha 30, 40 mil reais. Tem jogador no profissional que recebe um salário mínimo.


Um clube de futebol funciona como um conjunto de engrenagens, e o desempenho em campo é so uma parte delas. A mais importante. A que aparece mais para torcida e imprensa. Mas para essa peça funcionar corretamente, todo o restante precisa estar bem azeitado. E não está. 


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Existem absurdos que não dão para engolir. Já contei a história de funcionários que se dedicavam inteiramente ao clube, mas precisaram pedir desligamento porque não tinham mais condições de continuar sem receber. Se eu passasse dois meses sem salário, minha vida viraria um caos Por isso a revolta. 


A última da diretoria foi deixar Thomás, destaque ofensivo do time, sair para o maior rival por não concedê-lo um aumento irrisório. 


Antes que venham dizer que "estou tentando tumultuar o ambiente", como sempre aparece, quero deixar claro que denunciar esses abusos é obrigação de quem ama o Santa Cruz. Eu sou Santa Cruz desde que nasci. Quero sempre o melhor para o meu clube. Minha segunda casa. E não tolero esse tipo de situação. Por não haver oposição e combate a essas práticas, nosso clube está preso nesse calabouço financeiro sem fim. As pessoas precisam ser tratadas com respeito. Falta de compromisso com os salários é uma coisa já institucionalizada no clube há muito tempo. E esse pensamento retrógrado precisa MUDAR. Não dá mais para fazer futebol desse jeito.


Se quiser subir de divisão, o Santa precisa se arrumar administrativamente. De maneira séria. Do contrário, não vai adiantar de nada jogar agora para ser punido lá na frente. De novo.

A torcida também precisa fazer sua parte, tirando a bunda do sofá e indo ao estádio para fazer bilheteria. A média de público está sofrível (5.462) nesta Série B (Guarani e ABC-RN).

Sem união e organização, já sabemos o restante do filme.

Precisamos revolucionar esse clube.